DESTAQUE NO FÓRUM ESFERA BRASIL 2025
26-08-2025
O grupo Esfera Brasil é um think tank brasileiro tido como
independente e apartidário, que congrega empresários e empreendedores, visando
promover o diálogo entre os setores público e privado, com o fito de fomentar o
desenvolvimento do País. Em outras palavras, o grupo Esfera Brasil é um instituto
de influência e articulação política e institucional, com o fito de gerar
diálogo construtivo e estimular políticas públicas e desenvolvimento
sustentável, através de pesquisas, eventos e parcerias estratégicas.
No Guarujá, SP, foi
realizado o Fórum Esfera 2025, mediante presença de ministros e governadores,
cujos debates foram sobre crescimento econômico, transição energética, e
sustentabilidade. Em Recife, ocorreu também agora em agosto o evento Esfera
Infra. Em maio, fechou parceria com o Ballard Partners, empresa norte-americana
de relações governamentais, objetivando fortalecer os canais de diálogo entre
Brasil e EUA.
Foi justamente no Guarujá, que o economista Roberto Campos
Neto, teve participação relevante nos debates. Ele, que fora Presidente do
Banco Central e que agora é diretor do grupo Nubank, uma fintech que tem também
ações negociadas na bolsa de Nova York. Ele é neto do lendário Roberto de
Oliveira Campos, que fora ministro e que participou, em 1944, da criação do
Fundo Monetário Internacional.
Criticando a lei do Arcabouço Fiscal, que, desde 2024, substituiu
a lei do Teto de Gastos, assim se referiu: “No final de contas, grandes
investidores não estão olhando o que está (dentro do arcabouço) e o que não
está. Eles estão olhando como vai ser a trajetória da dívida nos próximos anos.
Eles falam: o que precisamos ver para ter déficit nominal menor para que eu
consiga gerar um (superávit) primário e equilibrar a dívida? Eu preciso ter um
juro de ao menos 7% a 8%”.
Em outra passagem: “Trata-se de um governo maior que não
oferece os serviços compatíveis com outros governos desse tamanho. Precisamos
repensar este modelo. Existia uma crença de que o Estado maior seria eficiente
e fomentaria o crescimento. Não deu certo. Precisamos ter coragem para debate
duro junto ao governo que tenha disposição de enfrentar este problema, com
Congresso que tenha disposição e dialogar com o Judiciário, porque as coisas
sempre podem ser judicializadas no País”.
Aqui vão alguns esclarecimentos. O que Campos Neto está
enfatizando é que existe um enorme déficit nominal das contas públicas, calculado
pelo próprio governo, de cerca de 10% do PIB, o que deveria obriga-lo a pagar.
Mas, como não paga, porque tem déficit primário, isto é, de origem, procura
captar recursos no mercado financeiro para rolar a dívida pública. Esta fica
encarecida. Tem-se no mercado financeiro juros básicos de 15% ao ano como
referência, o que não é bom e contribui para redução do nível de crescimento
econômico. Mas, não podem ser baixados como querem os industriais, até porque o
mercado financeiro não compraria os títulos públicos, a taxas que não fossem
atrativas. Por seu turno, se tivesse superávit primário poderia pelo menos
pagar os juros da dívida pública. Mas, como não tem, precisa rolar o principal
e os juros da dívida.
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