FALA-SE AGORA EM GEOECONOMIA
29-08-2025
Há muito tempo há referências à geopolítica. Na etapa do regime militar (1964 a 1984), o general Golbery do Couto e Silva, forte influenciador da época e que foi Ministro da Casa Civil, publicou o livro, pela Biblioteca do Exército, intitulado “A Geopolítica do Brasil”. Neste 2025, no seu segundo mandato, Donald Trump lançou uma inovação, que os economistas tem chamado de geoeconomia. Vale dizer, entrou em cena formas alternativas de negociação das tarifas sobre o comércio internacional, indo e vindo percentuais de tarifas, no intuito de beneficiar a economia norte-americana. O seu lema “America First” tem mostrado que Trump turbina a economia como arma geopolítica e o Brasil pode ser um dos grandes perdedores, na medida em que tem um “capitalismo tardio” (título do livro do economista João Manuel Cardoso de Mello, também da referida época). Ou seja, o desenvolvimento tecnológico da sua indústria de manufaturados está atrasado e pouco concorre com aquele dos países avançados. Ao contrário do agronegócio, que tem realizado a reprimarização da economia brasileira.
Trump começou, com uma primeira onda de taxas incrementais de
25% sobre produtos importados do Canadá e do México, seus aliados no Nafta,
aliança para comércio privilegiado, ainda no rescaldo da posse. Em uma segunda
onda, vieram dezenas de países com anúncios de tarifas diferenciadas, mas que
foram acordadas para, em geral, taxas de 10% adicionais. Em ondas subsequentes,
vieram países da Ásia e União Europeia, chegando a um acordo em julho, mediante
tarifas adicionais de 15%. Em ondas residuais, países que não fizeram acordo,
como o Brasil, ficaram desde o dia 06 de agosto com tarifas adicionais de 50%.
O óbvio, estão sendo estes prejudicados. Na medida em que as tarifas tem se
expandindo, analistas econômicos têm-se referido a que há uma mudança mais
profunda no planeta, a entrada em cena da geoeconomia. Porém, não são somente
as tarifas como armas, mas também as sanções financeiras, regras para
investimentos e mudanças nas dinâmicas monetárias. Referidos analistas dizem
que a geoeconomia tem uma vítima central: a Organização Mundial do Comércio
(OMC).
A OMC tem definido regras de trocas comerciais entre os países,
acordos entre eles e, a começar daí, estabelecendo princípios gerais que seus
membros devem seguir, enquanto na geoeconomia cada país atua por conta própria,
sem mediação de um órgão internacional, tal como a OMC. A ironia é que, hoje o
governo norte-americano, mais protecionista, vai de encontro ao livre comércio,
que tanto apregoou governos passados, desde a segunda guerra mundial, mediante Acordo
Geral de Tarifas (GATT, sigla em inglês), transformado na atual Organização
Mundial do Comércio.
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