INADIMPLÊNCIA EM JULHO É A MAIOR EM 8 ANOS

 

28-08-2025


O Banco Central (BC) informou ontem que, em julho, a inadimplência do sistema bancário subiu ao nível mais alto em quase oito anos. Por seu turno, o crescimento do crédito perdeu força devido aos custos mais elevados dos financiamentos, tais como juros, comissões e retenções de parte dos depósitos.

No caso do crédito feito pelas instituições privadas, o chamado crédito livre, a inadimplência subiu para 5,2%, em relação a junho, que fora de 5,0%, chegando ao patamar mais elevado desde 2017. No ano, a inadimplência subiu 1,1%.

Conforme o Comitê de Estabilidade Financeira do BC, houve um aumento de ativos problemáticos mais recentemente, não obstante o BC tenha mandado as instituições financeiras colocarem tais ativos na conta de balanço chamada de prejuízos.

O BC tem mantido a taxa básica de juros em níveis elevados, exatamente, em 15,0% anuais. Esta influencia as demais taxas, sendo o patamar mínimo de referência, na maioria dos casos. O objetivo é desacelerar a economia e levar a inflação em direção ao centro da meta de 3,0%, com uma tolerância de 1,5%, sendo o teto de 4,5%.

Para fins de comparação, a taxa de inadimplência nos EUA, pelo Federal Reserve, de todos os empréstimos nos bancos comerciais, fora de 1,52% em abril de 2025 e poderá não ser muito diferente em julho deste ano. Já a taxa de inadimplência da Zona do Euro, calculada pelo Banco Central Europeu, estava por volta de 2,2%, no primeiro trimestre de 2025, também não poderá destoar em julho de forma forte.

O Banco de Compensações Internacionais (BIS, sigla em inglês), com sede na Basileia, Suíça, também chamado de “banco dos bancos centrais”, considera como crítico quando a inadimplência passa da faixa de 5% a 6%, cujos atrasos ultrapassam 90 dias. Assim, os bancos deverão constituir provisões de perda esperada.

A inadimplência medida pela Serasa Experian é bem diferente. Segundo os cadastros da Serasa, 37% dos consumidores adultos tinham alguma dívida em atraso registrada no período em referência. Ou seja, contas de luz, água, telefone, cartão de loja, carnê, empréstimos em bancos, financeiras, dentre outras contas. O prazo considerado normalmente é de atraso acima de 30 dias para entrar na relação de inadimplência da Serasa. Isto é, uma fotografia social da inadimplência em geral no País.

O BC calcula a inadimplência bancária, a referida de julho passado, em 5,2%, isto é, aquela na carteira de crédito do sistema financeiro nacional, que está em atraso superior a 90 dias. É calculado sobre o valor total emprestado e não sobre o número de pessoas.

Os olhares são sobre dois universos diferentes. Um mais amplo, sobre os débitos e no prazo mais restrito. Outro sobre o sistema financeiro regulado e no prazo mais longo.

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