LICENÇA PARA A PETROBRAS NA FOZ DO AMAZONAS

 

22-10-2025


O IBAMA autorizou anteontem a Petrobras a perfurar poços na bacia da foz do Rio Amazonas. A licença saiu após cinco anos de embates entre as áreas ambiental e energética do governo federal. A autorização deve destravar a corrida por petróleo na margem equatorial. O parecer do IBAMA cita riscos ambientais, principalmente quanto ao peixe-boi ameaçado e aos indígenas ignorados ou muitos ainda em estado selvagem.

A bacia da foz do Rio :Amazonas é hoje vista como uma fronteira petrolífera com grande potencial. Porém, mediante muita incerteza técnica, comercial e ambiental.

Estimativas técnicas do IEPE, sobre estudos volumétricos, apontam para 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente recuperáveis, na porção noroeste, margem equatorial, havendo volumes potenciais maiores em mapas mais amplos. Por exemplo, há menções do governo de 30 bilhões de barris como estoque amplo. As estimativas dependem fortemente da confirmação por perfuração exploratória, que deveria ter começado desde julho, já que há equipamentos alugados desde então para tal mister.

Geologicamente, a bacia da foz do Rio Amazonas faz parte da margem equatorial do oceano atlântico, de formações sedimentares e estruturas comparáveis às margens equatoriais onde houve grandes descobertas na Guiana e no Suriname. O potencial é muito grande em águas profundas e muito profundas, cujas tecnologias a Petrobras vem também exercendo na área da camada do pré-sal no eixo Sul-Sudeste do Brasil.

Desde os anos de 1960 que a Petrobras tem feito estudos na região referida. Agora a Petrobras parte para a perfuração amazônica, dado o licenciamento concedido.

Uma rápida conclusão. O potencial geológico é alto, em termos de identificação de bilhões de barris do petróleo. O grau de certeza é de moderado a baixo, até que os poços exploratórios confirmem volumes comerciais. O grau de especulação é alto.

Daqui a cerca de um mês será realizada a conferência da ONU para o meio ambiente, a COP-30, na região amazônica e lá o assunto ambiental vai ferver, visto que “todo mundo” quer preservar a Amazônia. Eles, de fora, já devastaram suas florestas e agora, mais ainda, continuam de olho, no potencial da floresta brasileira.

A Petrobras tem sim, que continuar.  

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