BOLSA DESPENCOU EM AVERSÃO AO RISCO

 

06-12-2025


A linguagem dos economistas, ao usar o termo aversão ao risco significa que os investidores correm para realizar suas vendas de ações nas bolsas de valores, quando há notícias de que um impacto futuro pode ter na economia por anúncio de provável direção do mundo ou do País, quando o confronto político fica bastante claro. Ontem, no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão na Polícia Federal, ao cumprir pena de 27 anos, anunciou finalmente que seu candidato à presidente da República, no próximo ano, será seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, tendo, de imediato, os investidores de bolsa reagindo, negativamente, não por ele, Flávio, mas, pela convicção de que o presidente Lula poderá ser eleito para exercer mais uma gestão, indo para o quarto mandato presidencial. Os investidores vêm a atividade econômica com baixo desempenho, perante elevadíssimas taxas de juros, cujas previsões é de que nos próximos anos ainda poderá estar em dois dígitos, bem como o governo federal, exercendo déficit primário, o que o faz recorrer ao mercado financeiro e isto não faz com que as taxas de juros recuem a patamares civilizados. O déficit primário reiterado já em cerca de três anos, neste atual mandato, deve-se ao governo assistencialista, ao criar e ampliar programas sociais, que representam gastos públicos, sem a criação de investimentos, em contrapartida, mas, estimulando o consumo das famílias. Os investimentos privados, não, necessariamente, poderão ser ampliados. E, se forem, não tem a mesma taxa de crescimento do consumo das famílias.

A aversão ao risco faz com que os investidores não ampliem ou pouco ampliem seus investimentos, visto que vem fraca demanda agregada futura. Logo, saem das aplicações em inversões nas grandes empresas e realizem mais aplicações financeiras, as quais poderão deixar de serem mais produtivas.

A bolsa de valores brasileira ontem recuou 4,31% e o dólar comercial se elevou em 2,34%. A bolsa de valores vinha, há vários dias, batendo recorde atrás de recorde. Iniciou o dia na faixa recorde de 165 mil pontos. Porém, encerrou-se o pregão de ontem por volta de 157 mil pontos. A expectativa fica para saber se, na próxima semana, recuará mais ainda ou não. O fato é que o candidato da direita, Flávio Bolsonaro, reúne bom apoio de partidos, mas a direita poderá vir dividida no ano que vem e o presidente Lula poderá vir sozinho, pela esquerda. O candidato mais forte da direita era o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que, poderá concorrer na sua zona de conforto ao segundo mandato paulista. Este poderá não colocar em risco a sua ampla perspectiva de ser reeleito e de entrar em confronto com Lula, o favorito até agora das pesquisas. Os outros fortes candidatos da direita, tais como Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Júnior do Paraná, e, Romeu Zema, de Minas Gerais poderão ou não sair candidatos.

Em suma, como o objetivo desta coluna é de análise conjuntural de uma lauda. A perspectiva da economia brasileira é de que continuará o baixo crescimento, mas de que não ingressará em recessão. Menos mal. Essa parece ser a opinião sintética de cerca de 100 economistas de instituições financeiras, auscultados semanalmente pelo Banco Central e publicados na segunda feira no Boletim Focus, desde o ano 2.000.   

 

 

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