CORTE NA SELIC DEPENDE DO AJUSTE FISCAL
27-02-2026
Dando prosseguimento ao tema do
artigo de ontem, que examinou brevemente a taxa básica de juros desequilibrada,
a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, declarou à CNN, que o corte
esperado na SELIC depende do ajuste fiscal. Na verdade, ela queria dizer que se
referia ao prolongamento do ciclo de cortes da SELIC. Em relatório do próprio
banco, ela revisou para baixo as suas expectativas para o dólar e a inflação em
2026, reforçando que o cenário é de incerteza e de risco fiscal. Para ela, as
contas públicas desarranjadas continuam sendo fator de preocupação. Analistas
financeiros, de um modo em geral, acreditam que a solução do déficit primário
somente acontecerá em 2027, sem horizonte de continuidade, visto que o governo
continua gastador e pretende ampliá-los com novos benefícios para o consumo, como
auxílio para gás de população de baixa renda. Os gastos deveriam ser dirigidos
principalmente para os investimentos em infraestrutura.
A economista ressalta que, embora
o dólar está sendo depreciado e o real apreciado, de que a tendência da
inflação é de queda, mas, de que não está evidente a solução fiscal esperada.
Em relatório, a economista acredita que há espaço de corte de 3% na taxa básica
de juros até o final do ano. Já cortes adicionais em 2027 estão condicionados à
política de contenção de gastos. Ademais, com a SELIC em 12%, o patamar é
bastante alto para atrair investimentos privados. Ao nível de dois dígitos, a
dívida pública não se estabiliza e caminha para 83% do PIB ainda em 2026.
A redução da taxa básica ajuda a
reduzir a pressão sobre a dívida pública, já que esta está cerca de 50% atrelada
à taxa SELIC.
Na sanha tributária, o governo
elevou a alíquota de muitos produtos importados, notadamente para aqueles de
alta tecnologia, tais como aparelhos celulares, esperando obter neste ano
receitas adicionais de R$20 bilhões. Mas, nem se refere aos cortes nas despesas
e de que poderá alcançar o superávit primário, admitindo pequeno déficit
primário. Repete-se aqui que é um governo basicamente gastador e muito pouco
investidor em infraestrutura. Além do mais, déficits primários são
inflacionários e pouco poderá permitir que a inflação continue convergindo para
o centro da meta fixada pelo CMN.
Na conjuntura mais presente,
ontem, a cotação do dólar fechou em R$5,12, a menor cotação em dois anos,
trazendo perspectivas de melhorias nos indicadores futuros da inflação e da
taxa básica de juros. Porém, como não há corte dos gastos públicos, mas,
possibilidades de elevá-los, hipótese que somente conta o governo, poderá ficar
déficit primário e carência de dinheiro para investimentos em infraestrutura. A
taxa de juros praticada na economia continua sendo de dois dígitos, alta
demais, para atrair os investimentos privados. Dessa forma, a taxa de
crescimento continua com estimativa muito baixa, por volta de 1,8%, neste, e no
próximo ano, segundo as medianas das instituições financeiras, que fornecem
dados semanalmente para o Banco Central.
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