DOMÍNIO DE TERRAS RARAS

 

01-02-2026


A China é a maior detentora de reservas de terras raras globais. Está na frente disparada, respondendo por 70% da mineração e 90% do processamento global. Na verdade, já há algum tempo que a China se tornou o país maior exportador do mundo. Décadas atrás produzia bens com baixo valor agregado e de baixa qualidade. Dizia-se, antes de 1980 que os produtos vindos de lá, com ironia, que era “um negócio da China. Porém, em cerca de 45 anos, nas últimas décadas, ela deu saltos tecnológicos que fizeram dela se tornar a segunda maior economia do planeta, estando na vanguarda de produção e exportação de bens de alto valor agregado. Ademais, tem procurado reabrir rotas de comércio, incluindo novas rotas, em um conjunto de cerca de 150 países. Este é um dos maiores motivos pelos quais, neste segundo mandato de Donald Trump, iniciado em 20 de janeiro de 2025, quando ele criou inúmeras tarifas adicionais de comércio internacional, principalmente com foco em onerar as importações chinesas, mas procurando fazer negociações. Trump está redefinindo uma nova geopolítica agressiva.

Assim, um aspecto econômico que está tomando vulto são a “descoberta” das terras raras, onde 17 elementos minerais podem ser extraídos, de grande valor e uso hoje em generalizado. A maioria desses elementos foi descoberta no século XIX. Porém, pelas dificuldades de separação de minerais nobres das terras comuns, um longo período se estendeu. No entanto, com os saltos tecnológicos, principalmente dentro dos EUA, da China e dos Tigres Asiáticos, surgiram produtos altamente valorizados, tais como a inteligência artificial, carros elétricos e muitos outros bens e serviços de alta tecnologia, referidos elementos foram se tornando estratégicos.

O Brasil é o segundo País de maiores reservas mundiais de terras rara. Entretanto, tem vindo produzir muito pouco. Recentemente, três projetos australianos e um projeto brasileiro tem se localizado na fonte de matérias primas minerais, que é o Estado de Minas Gerais. Mediante política comercial altamente protecionista do governo dos EUA, bem como perante o domínio da China em produção e comércio de terras raras, um complexo industrial no Nordeste do Brasil pode ajudar o mundo a sair de um impasse da nova natureza geopolítica. Não tão conhecido ainda, um parque tecnológico de pesquisa se encontra no Estado da Bahia. No caso em referência das terras raras, a administração de parte do complexo já está sendo projetada pela mineradora Brazilian Rares Earths Limited, também, uma empresa de origem e controle australiano, mas de capital aberto. A empresa está construindo uma das primeiras plantas de separação de terras raras das terras comuns da América Latina, visando produzir 17 elementos minerais essenciais para a fabricação de produtos que vão de mísseis a fornos micro-ondas.   

Não sem motivo os EUA estão muito interessados no projeto em referência. No ano passado eles foram duramente atingidos pela China, que impôs uma série de restrições as suas exportações de metais, de peças e de engenheiros. Consta que as perspectivas de acordos comerciais de citadas terras fizeram os EUA aliviar as tensões de alguns produtos e de sanções a certas autoridades brasileiras.

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