CRISE GLOBAL DE PREÇOS

 

26-03-2026


O livro do ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Milton Friedman, é de muita expressividade: “O Sistema de Preços e a Alocação de Recursos”. Como o que se define a ciência econômica é a escassez de recursos, a sua alocação é feita pelo sistema de preços. Por oportuno, a guerra hoje no Oriente Médio entre os EUA, Israel e o Irã tem levado ao mundo todo uma crise global de preços. Esta traz reflexos imediatos na elevação dos preços das commodities, principalmente, em petróleo, gás, fertilizantes, quanto mais durar, pior será, como já está sendo ao menos de um mês de iniciada, para a economia global, notadamente para as nações mais pobres. Estes têm menos recursos e, portanto, menos defesas.

No caso do Brasil, as repercussões são muito grandes em várias cadeias produtivas. O setor mais afetado, seguramente, já está sendo, é a agropecuária, principalmente, pela dependência excessiva de fertilizantes importados.

O presidente dos EUA, Donald Trump, através da sua rede Thuth Social, literalmente traduzido como “Verdade Social” tem conseguido influenciar, principalmente, as bolsas de valores e os mercados de energia, mediante simples mensagens na referida rede. Ademais, seu patrimônio familiar já acumula, em um ano de gestão, vários bilhões de ganhos, em vários e diversificados negócios.   

Como exemplo, no dia 23 deste, início da semana, Trump declarou que daria uma trégua de cinco dias sem bombardear as proximidades das usinas energéticas iranianas. O preço do barril do petróleo que chegou a mais de US$120.00, em cotações esparsas, baixou o referido preço para menos de US$100.00. Em contraste com que teria afirmado no final da semana passada, de que atacaria as usinas de energia se o Irã não reabrisse o estreito de Ormuz, no golfo pérsico, por onde passa 20% do petróleo mundial.

Na comparação com o mês passado, além do petróleo, gás natural, fertilizantes, estão tendo elevações rápidas de preços, várias commodities na mesma linha. O jornal alemão Handelsblat identificou 15 grupos de commodities que tiveram rápida elevações de preços, afetando várias cadeias produtivas, de produtos químicos básicos, fertilizantes, plásticos, gases nobres e alguns metais, que estiveram aumentos na faixa de 10% a 50%, conforme referência do site DW Brasil.

Exemplos que não faltam. Assim, ressentem-se de fertilizantes básicos, tais como enxofre, amônia e ureia, que são produzidos em grande quantidade na região do golfo pérsico. A estimativa de escassez está elevando preços em geral.

Por sua vez, o diretor da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, refere-se a “uma grande ameaça”, assinalando que a crise de preços atual poderá ser pior do que as dos dois choques dos anos de 1970, em 1973 e em 1979, consoante a mesma fonte.  

 

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