FLEXIBILIDADE DO MERCADO DE TRABALHO
01-03-2025
A taxa de desemprego aberto no Brasil atingiu a máxima
histórica de 14,9%, em setembro de 2020, a maior desde a Pesquisa Nacional de
Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), quando começou a ser a mais ajustada
referência. Isto ocorreu devido aos impactos da pandemia do covid-19, decretada
no começo daquele ano, pela Organização Mundial da Saúde, quando as principais
medidas de controle foram muitas, desde a vacinação, até a mais expressiva, que
foi o isolamento social. Anteriormente, como reflexo da recessão que se iniciou
no segundo trimestre de 2014, e durou 11 trimestres, o primeiro pico da taxa de
desocupação fora de 13,7%, em março de 2017.
A taxa de desemprego começou a ser calculada em 1983, através
da PNAD anual. Esta não mostrava o resultado mais imediato. Em 2002, foi criada
a Pesquisa Mensal do Emprego, que monitorava a taxa de desocupação nas seis
maiores regiões metropolitanas. Em 2012 foi iniciada a taxa de desemprego
oficial do País, a PNADC, com. abrangência nacional e com periodicidade mensal.
Esta está sendo usada até hoje.
Gradualmente, a taxa de desemprego começou a cair, depois do
pico máximo de setembro de 2020, na medida da retomada das atividades
econômicas, após os impactos mais severos da citada pandemia. Em 2021, o
desemprego começou a diminuir de forma consistente, fechando o ano em torno de
11,1%, no quarto trimestre. O recuo prosseguiu em 2022, chegando a 7,9% no
final daquele ano, bem como continuando a cair, até fechar novembro de 2024, em
6,1%, o menor nível em mais de uma década. Já na pesquisa do quarto trimestre
de 2024 do IBGE a taxa subiu um pouco indo para 6,2%.
Os motivos principais para a recuperação do mercado de
trabalho foram o crescimento do setor de serviços, a ampliação de vagas formais
e informais e o avanço da economia brasileira. Em relação a 2023, o número de
empregos cresceu 16,5%, totalizando 1.693.673 novos postos de trabalho,
conforme dados do CAGED. Porém, em dezembro de 2023, houve o fechamento
significativo do emprego em – 537.547 vagas e o desemprego fechou em 6,2% da
população economicamente ativa.
Isto posto, os economistas de uma forma em geral começaram a
prever uma menor criação de emprego em janeiro de 2025. Entretanto, houve uma
recuperação de 137.303 postos de trabalho, conforme dados do CAGED, o que
explicável, devido ao recuo tão grande no fechamento de vagas de dezembro.
Uma apreciação maior da taxa de desocupação pode ser feita agora,
visto que o IBGE divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua, trimestral, com fechamento em janeiro, sendo a do maior conjunto de
cidadãos pesquisados do País. A questão que se coloca é: se a taxa de
desemprego aberto, que subiu para 6,5%, na pesquisa trimestral, que vem
ocorrendo desde 2012, chegou à exaustão? É bom relembrar que os números de 6,1%,
6,2% ou 6,5% estão também subestimados, visto que não têm sido pesquisados e
não têm sido perguntados os “nem-nem”, aqueles que “nem” quiseram responder à
pesquisa e aqueles que “nem” querem trabalhar.
Comentários
Postar um comentário