META FISCAL MOODY’S ACREDITA PODERIA SER ALCANÇADA
25-04-2025
O Congresso Nacional aprovou a meta fiscal para 2025 de resultado primário neutro, ou seja, déficit zero, consoante definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), sancionada em dezembro de 2024. Entretanto, ao ser colocada na Lei do Arcabouço Fiscal, este permite uma tolerância de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), estimados em aproximadamente R$30,9 bilhões. O desejável seria ter superávit para pagar os juros da dívida pública. Mas, o governo federal não acredita assim, pensando em rolar os encargos do endividamento, que tem crescido bastante, conforme exposto ontem aqui.
Por seu turno, órgão do Senado, chamado de Instituição Fiscal
Independente (IFI), calcula que o governo federal encerraria 2025 com um
déficit primário de R$64,2 bilhões, ultrapassando em muito a margem de
tolerância. Entretanto, a IFI acredita que o governo federal poderá cumprir a
meta, no cálculo fiscal, se excluir o pagamento de precatórios. Mais uma vez
aqueles que têm precatórios a receber seriam prejudicados.
Para cumprir a meta fiscal o governo poderia criar medidas
que elevem a arrecadação de cerca de R$17,9 bilhões, o contrário do que propôs
em campanha, de não elevar a carga tributária, a qual corresponderia a mais 1%
do PIB. Tem sido ventilado dentro da equipe econômica a revisão de benefícios
fiscais, a tributação de grandes empresas de tecnologia e programas de
regularização de dívidas. O cenário deste 2025 é desafiador.
A agência de risco Moody’s, com escritório também no Brasil,
acredita que o País poderia atingir a meta fiscal proposta, para o biênio
2025/2026. Mas, na parte alta da banda de tolerância. Porém, teria que fazer
cortes nos gastos públicos para tal. Não sendo realizados, o déficit primário
em curso para este ano, segundo a Moody’s, poderia ser de 2% do PIB. Contudo, precisaria
fazer muito mais para conter a dívida pública. O crescimento desta iria
acelerar-se, visto que os juros dela estão muito altos, na casa atual de
14,25%, com estimativa do mercado financeiro que encerre o ano em 15%. Por seu
turno, parte do endividamento público tem juros flutuantes.
Em resumo, a citada agência se refere à rigidez do orçamento
público, visto que tem mais de 90% de gastos obrigatórios e elevados encargos
financeiros do seu endividamento.
Ontem, na reunião de primavera do FMI, o Ministro da Fazenda,
Fernando Haddad, afirmou que o governo está comprometido a adotar medidas de
ajuste fiscal de alta qualidade. Isto é vago. Qualidade não é quantidade. O
resultado fiscal é quantidade de dinheiro. Disse mais, que o novo arcabouço
fiscal tem sido benéfico para o País, substituindo “políticas fiscais
erráticas”. Falou demais, não explicou e ainda enganou aqueles incautos que não
entenderam a linguagem técnica com a burocrática. Isto é, a linguagem dos
burocratas.
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