SEGMENTO DE PRODUÇÃO DE PEIXES DE EXPORTAÇÃO PREJUDICADOS
21-08-2025
Sem dúvida, avaliações sobre as repercussões da imposição de
novas tarifas neste ano, pelos EUA, têm sido cogitadas, levantamentos citados e
realizados, mas, porém, não há ainda um levantamento técnico, no estilo do
rigor científico, que, geralmente, realiza o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (IPEA), a fim de subsidiar as políticas públicas.
Os segmentos mais afetados foram: do agronegócio, carne
bovina, café frutas, pescados, e suco de laranja: da indústria, têxtil, moda da
praia, calçados, moveleira, máquinas, equipamentos, construção civil,
eletroeletrônicos, autopeças e tecnologia; de diversos segmento, tais como metais,
químicos, petroquímicos, celulose, papel, siderurgia, aço, alumínio e
aeronáutica.
Em termos relativos, acima deve ser destacado, que um dos
maiores prejudicados pelo tarifaço do presidente Donald Trump, de uma tarifa
adicional de 50%, desde o dia 06 de agosto, tem sido o segmento de pescados
artesanais, notadamente do Estado do Ceará, região das mais próximas dos
Estados Unidos, por mar e ar, além de ter uma das maiores costas marítimas do
Brasil.
Os pescadores artesanais são homens que geralmente têm pouca
instrução, passando vários dias no mar, com embarcações de pequeno e médio
porte, muitas delas pertencentes a terceiros, os quais vendem quase tudo aos
intermediários que buscam peixes na praia ou aos donos das referidas
embarcações. Ademais, os compradores em referência repassam os peixes às
indústrias, que realizam o beneficiamento, vendendo no mercado doméstico ou
exportando para o exterior.
Conforme Painel Unificado do Registro Geral da Atividade
Pesqueira e cadastrados no Ceará estão registrados cerca de 32 mil pescadores,
sendo que 88,5%, por volta de 28.931 têm renda média mensal inferior a
R$1.040,00. Já 60% eles têm ensino fundamental incompleto, em torno de 19.646
pessoas. Cerca de 25%, correspondentes a 8.378 trabalham embarcados.
Aproximadamente, 36%, ou seja, 11.881 pessoas, são mulheres. Adicionalmente, há
a pesca da lagosta, praticamente, voltada para o mercado externo. Os
trabalhadores artesanais são o elo mais fraco da cadeia produtiva.
O Ceará exportou US$93,8 milhões em pescados em 2024, sendo o
maior valor entre todos os Estados brasileiros. Eles se compõem principalmente
de peixes vermelhos (pargo, cioba, ariacó, guaiúba), atum e lagosta. Foram
embarcados para 44 países. Para os Estados Unidos, mais de 46,85% do valor total
foram exportados.
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