SUBSÍDIOS DA UNIÃO
20-08-2025
A teoria econômica apregoa que os subsídios são apoios de
capital pelo governo às empresas, objetivando estimular investimentos de longo
prazo, tais como a compra de máquinas, equipamentos, construção de fábricas e
modernização tecnológica. Já começa a exposição de aspectos críticos por aí,
trata-se de modernização e não de contemporaneidade, visto que as empresas
assim contempladas ficarão atrás daquelas verdadeiramente inovadoras. Só
relembrando: as idades da humanidade são classificadas em Idade Antiga, Idade
Média, Idade Moderna e Idade Contemporânea.
O Ministério do Planejamento, sem o protagonismo que exerceu
durante o período do regime militar, de 1964 a 1984, quando realizou cinco Planos
de Desenvolvimento, de longo prazo, tem procurado espaços para realizar
proposições de política econômica, tais como a repercussão que a Nova Rota da
Seda poderá ter, em ligações de roteiros de transporte no sentido do Atlântico
ao Pacífico, bem como estão e poderão ser alterados os subsídios da União, de
forma anual.
Assim, publicou ontem, com grande atraso, que a União
concedeu no ano passado R$678 bilhões de subsídios às empresas, correspondentes
a 5,78% do PIB, quando fora de 6,10% em 2023, sugerindo que estaria havendo um
esforço de redução deles, mediante críticas generalizadas sobre a sua
existência, devido ao fato de que os subsídios são “doações” de capitais, para
atrair, manter e procurar consolidar polos de crescimento regional. Sem os
subsídios, acredita o governo federal que os capitais sairão de certas regiões
chamadas de deprimidas. O caso mais emblemático é o da Zona Franca de Manaus,
muito comentado em vasta literatura, de que há décadas somente existe pelos
incentivos fiscais, financeiros e materiais (de terreno bom, barato e, quando
não, de graça, por exemplo, além de ampla infraestrutura).
O relatório do referido ministério mostra que 83,2% dos
subsídios concedidos em 2024 foram tributários, seguidos por 9,6% dos
financeiros e por 7,3% dos creditícios (financeiros e creditícios poderiam estar
numa rubrica só?). Entretanto, não mostrou como foram concedidos os incentivos
em infraestrutura e em doações de terrenos e equipamentos, além de custos com o
apoio governamental.
No documento, retira-se essa ‘perola’: “Esses recursos podem
ser aplicados pra reduzir preços ao consumidor ou para baratear custos ao
produtor, bem como por assunção de dívidas de saldos de obrigações de
responsabilidade do Tesouro Nacional”. Ora, os subsídios são para fazer com que
empresas ‘artificialmente’ participem de concorrências, nacional e mundial,
que, sem eles, não teriam condições de concorrer. Na verdade, os subsídios
colocam as empresas fragilizadas e ineficientes, contra o sistema capitalista
apregoado como competitivo. Por que não investir em ciência, tecnologia e
educação? Não seriam estes causadores de melhores efeitos. Ou, num ‘mix’ deles.
Claro, “falar é fácil, o difícil é fazer”.
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