27-09-2025 Uma Ponte após 40 anos
O enfoque nesta página diária é para debate em sala de aula e fazer comparações, principalmente, ao nível econômico.
Assim, no último governo da ditadura, João Figueiredo, de 1979 a 1984, o poder executivo tinha 16 ministros. O presidente de então tinha dificuldades de despachar com todos os ministros e não os recebia todos os dias. Diziam que ele era um cavalo, já que também chegou ao generalato da infantaria. Daquela época em diante os meios de comunicação melhoraram muito. A realidade é bem diferente. A população brasileira era em 1980 de cerca de 119 milhões, tinha um PIB brasileiro de US$235 bilhões. A renda per capita de US$1.970. Crescimento do PIB de 9,2%, no último ano do “milagre brasileiro”, período espetacular de crescimento, nunca conhecido por aqui.
Por volta de 40 anos depois, no terceiro mandato do presidente Lula, de 2023 a 2024, o poder executivo conta com 40 ministros. Mediante a Constituição de 1989, foram ampliadas as atuações dos poderes. O poder legislativo recebeu mais um novo tribunal, o Tribunal Superior de Justiça, com cerca de 33 novos ministros, visando resoluções aos níveis
estaduais. 33 ministros e 27 unidades federativas. Surgiram também 3 novos tribunais estaduais decorrentes da criação de três novos estados. A população era de 212 milhões. O PIB de 2024 fora de US$2,3 trilhões. O PIB per capita de US$11.000.
Os fatos en passant mostram, ainda que, superficialmente, o Pais emergiu para ser uma potência. Entretanto, sem condições de aqui em uma lauda comprovar, tem muita gente na máquina pública, depois de São Paulo e Rio de Janeiro, Brasília, Distrito Federal, é a terceira maior cidade e aquele município com a maior renda media do Brasil. Sem dúvida, nos dias de hoje o Estado está mais presente.
Em resumo, em 1980, o Estado era relativamente “leve”. A carga tributária estava em torno de 24% do PIB. Recorde-se aqui que, após a Constituição de 1946, a carga tributária era de 16% do PIB. Nos anos de 1980, o Estado era mais interventor na produção (via estatais) e menos redistributivo de renda. Em 2024, o Estado está “pesado”, gastando mais do que arrecadava e elevando o endividamento. A carga tributária está por volta de 32,4%. Maiores gastos previdenciários e em programas de redistribuição de renda, mesmo para aqueles que não podem trabalhar, aqueles que não querem ser emancipados e aqueles que não querem trabalhar. Embora o governo federal informe, através do IBGE, que o desemprego é o mais baixo da história, mas este só entrevista quem se declara disposto ao trabalho, logo, o indicador está subestimado. Nas camadas de trabalhadores está difícil conseguir quem queira trabalhar e o turn over está elevado.
Enfim, a complexidade atual está emperrando o crescimento de um “carro” que precise ser alimentado basicamente por combustíveis fósseis, quando já deveria ser híbrido e elétrico.
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