A ECONOMIA EM DÉFICITS CRESCENTES
15-09-2025
A condução da economia brasileira, neste terceiro mandato do
presidente Lula, optou por executar uma política econômica, na qual a demanda
agregada é estimulada, mediante o aumento dos gastos públicos e da elevação do
consumo das famílias. Este é o crescimento econômico chamado puxado pela
demanda agregada. Esta é definida pelo consumo das famílias (C), mais os
investimentos privados (I), mais os gastos do governo (G), mais exportações (X)
menos importações (M). A essa soma se encontra do outro lado da equação o
Produto Interno Bruto (PIB). A equação é PIB = C + I + G + X – M. Entretanto,
diferentemente dos dois mandatos anteriores do presidente, quando operou com
superávit primário, neste mandato se iniciou e continuou o déficit primário. Isto
é inflacionário e o déficit, que deveria ser superávit, para pagar juros da
dívida, sendo tais juros incorporados e tem elevado fortemente a dívida pública
sobre o PIB.
Do final do século XX, de 1999 até 2013, o governo federal
trabalhou com superávits primários, nos primeiro e segundo mandato do
presidente Lula e metade do governo da presidente Dilma. As taxas de
crescimento econômico foram boas, aproximando-se de 4% em média anual.
Entretanto, em 2014 ocorreu déficit primário, que existiu até 2021. Em 2022,
houve superávit primário. Porém em 2023, 2024 e 2025 o governo federal vem
incorrendo em déficits primários mensais seguidos. Além disso, tem crescido
bastante o déficit nominal. Em finanças públicas, déficit primário é o
resultado negativo sem pagar os juros da dívida pública. Em 2024, este foi de
0,04% do PIB. Já o déficit nominal, inclui o pagamento de juros da dívida
pública, que foi de 8,45% do PIB, em 2024.
Devido às taxas básicas de juros serem nos últimos anos de
dois dígitos, estando agora em 15% anuais, previstos até o final do ano, nos 12
meses encerrados em julho, essa despesa se aproximou de R$1 trilhão. Os juros,
por sua vez, ao rolar a dívida pública, já que o governo não tem como pagar, atingiu
77,5% do PIB em julho, mediante uma expansão de 6% em um pouco mais de dois
anos.
No balanço de pagamentos a conta do balanço de transações
correntes, que envolve a soma do saldo da balança comercial (exportações menos
importações) mais o saldo da balança de serviços, que, historicamente, tem sido
deficitária há muitas décadas, sendo um problema crônico da evolução econômica
do País, o déficit em transações correntes saltou de 1,4% do PIB para 3,5% do
PIB em 12 meses. A piora tem sido pela apresentação de saldo comercial menor,
além de aumento na saída líquida de serviços e rendas, tais como as remessas de
juros e dividendos.
Os cálculos acima foram feitos por economistas da Folha de
São Paulo, que: “Para Samuel Pessoa, do IBRE-FGV e colunista da Folha, do ponto
de vista macroeconômico, a situação atual ‘não é tão diferente’ do final do
governo de Dilma Rousseff. Ele ressalta, porém, que o déficit atual ‘é mais real’
porque a SELIC não está artificialmente controlada, como ocorreu em 2014,
quando começou a subir só após a reeleição de Dilma (naquela época o BC não era
independente). Lula também não têm
controlado preços administrados (energia e combustíveis). Mas, Pessoa destaca
que é grande o desequilíbrio no Brasil, produzindo quatro milhões de barris de petróleo
por dia, que geram muita receita, não poderia ter esse déficit... ‘O problema
estrutural continuará conosco e precisará ser tratado em 2027’. O risco é Lula
voltar a pisar no acelerador dos gastos no período eleitoral”, conforme a Folha
de hoje.
Em resumo, o governo federal vem fazendo o contrário do
prometido em campanha de 2022, quando se referiu a reduzir a carga tributária.
Cortar gastos que nada. Ele tem, sim, elevado a citada carga e praticando altas
taxas de juros, já que não pode baixá-la, visto que o BC é independente e, se a
baixasse, não conseguiria rolar a dívida pública. Como disse Pessoa, acima, “o
problema estrutural continuará”.
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