ATRITOS COM OS EUA NÃO É BOM PARA A ECONOMIA
10-09-2025
É bem verdade que as ciências sociais são interligadas. A
ciência política tem muito a ver com a ciência econômica. Embora aqui se
procure tratar do assunto diário e de uma página, tecnicamente, os assuntos podem
até ser separados, mas, não isolados. Ademais, o poder econômico é
determinante. Ontem, o ex-embaixador Rubens Barbosa, que já foi embaixador nos
EUA, afirmou que eles deverão impor novas sanções ao Brasil, com o fim do
julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta semana, pelo Supremo Tribunal
Federal (STF), em reunião do Conselho Superior do Agronegócio. Para ele, as
tarifas adicionais de 50% poderão ir além, dependendo do desfecho do
julgamento, sem contar que novidades de sanções poderão ocorrer. Conforme ele,
a política de tarifas já está afetando a competitividade de produtos
industriais e agrícolas brasileiros. Destacou ainda que uma promessa de exceção
a produtos não cultivados nos EUA não foi cumprida. “Entrou só o suco (na lista
de exceções) e outros produtos ficaram de fora”. Barbosa afirmou ainda que os
EUA poderão impor sanções relativas ao desmatamento, aos riscos relacionados à
regulamentação das big techs e também para o agronegócio. Atritos são de uma
potência com um país emergente e a balança penderá para um lado.
A BBC News Brasil, ainda, ontem no seu site se referiu:
“Brasil não tem ‘soberania monetária’ para enfrentar sanções de Trump”. Para
ela, no meio das sanções dos EUA o Brasil ficou no ‘fogo cruzado’. Estão de um
lado os bancos brasileiros, Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BTG
Pactual, que vivem o dilema de cumprir as sanções, endereçadas ao ministro
Alexandre de Moraes, que está conduzindo o rápido julgamento de Bolsonaro e tem
investindo contra interesses de empresas norte-americanas. Uma carta de órgão
específico do Departamento do Tesouro dos EUA cobrou o que já tem sido feito
pelos referidos bancos. Por seu turno, o ministro do STF, Flávio Dino, disse
que a aplicação de leis estrangeiras e de sentenças judiciais precisam ser validadas
por acordos internacionais ou referendadas pela Justiça Brasileira.
Os fatos, em síntese, são que a dependência ao dólar impõe
limites à soberania monetária do País, sem contar com todo o arcabouço da alta
tecnologia da internet e de serviços de bigs techs, dentre outros limites
tecnológicos. Ademais, a porta-voz do governo dos EUA, Karoline Leavitt,
declarou ontem que a Casa Branca elevou o tom, ameaçando também o uso de força
militar contra o Brasil e outros países que atentarem contra “a liberdade de
expressão”. Em outras palavras, ela se expressou que “O presidente dos Estados
Unidos, Donald Trump, não tem medo de usar meios econômicos nem militares para proteger
a liberdade de expressão ao redor do mundo”.
Fechando esta página, o conselheiro econômico da Casa Banca,
Peter Navarro, disse que a economia do Brasil está “indo para o buraco”,
chamando os integrantes dos BRICs de “vampiros, sugando nosso sangue (dos
Estados Unidos), sangue com suas práticas comerciais desleais”. Para ele “A
questão central é que nenhum desses países pode sobreviver se não vender para
nós. Vamos ver o que acontece. Não vejo como o BRICs pode se manter unido, já
que, historicamente, todos se odeiam e se mantam entre si”.
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