CLIMA PESADO
11-09-2025
A geoeconomia está cada vez mais refletindo a geopolítica. Recorde-se
aqui o neologismo geoeconomia como a era super protecionista de Donald Trump,
em seu segundo mandato, iniciado neste ano. Vale dizer, impor altas tarifas aos
parceiros comerciais, aos quais ele concluiu que são desleais no comércio
internacional.
A problemática atual em que se envolveu o governo brasileiro
com o governo norte-americano vem tornando o clima entre eles bastante pesado.
O Ministério das Relações Exteriores assim se referiu, em nota recente: “O
governo brasileiro condena o uso de sanções econômicas ou ameaças ao uso de
força contra a nossa democracia”. Isto foi em resposta à declaração da
porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anteontem, sobre as sanções
econômicas e militares, inclusive para o Brasil, para combater as referidas práticas
desleais. Segue a nota: “O primeiro passo para proteger a liberdade de
expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular
expressa nas urnas. É esse o dever dos três poderes da República, que não se
intimidarão por qualquer forma de atentado a nossa soberania”.
A ofensiva da Casa Branca se dá principalmente em direção aos
BRICs, grupo ao qual o Brasil sugeriu criar uma moeda própria, procurando sair
da órbita do dólar, o que aborreceu, enormemente, Donald. Ainda, mesmo,
anteontem, o assessor econômico da Casa Branca criticou os BRICs como grupo que
não se entende bem, exemplificando, que a China municiou o Paquistão de
artefato atômico, este, em confronto com a Índia. Agora a Casa Branca propôs à
União Europeia que elevem as tarifas em mais 100% para a Índia e a China, as
quais fazem fortes importações de petróleo da Rússia, auxiliando o fomento da
guerra entre Rússia e Ucrânia, que já dura 3 anos e não tem data para acabar.
As notícias pessimistas sobre o Brasil, de que enfrenta
problemas com os EUA, bem como tem previsto seu crescimento ser reduzido nos
próximos dois anos, significativamente, fez com que a agencia de risco Fitch,
uma das três grandes do centro financeiro mundial, que é Nova York, declarou
que o retorno do País ao selo de grau de investimento irá ainda demorar
consideravelmente. De certa maneira, esse é um reflexo colateral dos atritos
que também se refletem na economia brasileira, em face à geoeconomia e à
geopolítica atual.
Aqui, continua-se escrevendo uma página diária para debate em
sala de aula sobre a conjuntura atual.
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