COMISSÃO DE EMPRESÁRIOS PARA DISCUTIR TARIFAÇO
05-09-2025
Depois de declarar que era preciso revidar o tarifaço de, inicialmente, 10% incrementais, em abril, assim como de 50% adicionais, em agosto, nas exportações de produtos manufaturados brasileiros para os EUA, gravame adicional que é o mais alta do planeta, as autoridades brasileiras criaram uma comissão de negociação, chefiada por Geraldo Alckmin, vice-presidente da República e Ministro do Desenvolvimento, Industria, Comércio e Serviços, que não teve êxito, havendo desencontros nas negociações, após se reunir com muitos empresários, visto que os EUA se negaram a negociar, nos termos brasileiros, de onde saiu uma comissão de 130 deles para viajar aos EUA, os quais foram recebidos pelo órgão Representante Comercial Americano (USTR, sigla em inglês), tendo ontem eles recebido a reposta da USTR de que o tarifaço é um “problema político”.
A comitiva brasileira, que ainda está em Washington,
participou de seis painéis, com representantes comerciais dos EUA e do Brasil.
Os americanos também reclamaram das barreiras alfandegárias que impedem o
acesso aos mercados brasileiros. Vale dizer, dos altos impostos de importação
que dizem existir, da isenção brasileira de comissões para os bancos com o PIX,
da alta produtividade do agronegócio, em grandes produções rurais e da sua
agressividade comercial. Tarifas do etanol também entraram na lista de
problemas. Ademais, as exigências sanitárias dos EUA para as importações de
carnes e regras para limitar o desmatamento como exigências de importações
deles.
O debate ocorreu sobre intensa oposição de ideias. De um lado
os brasileiros argumentaram que não adotam práticas injustas ou
discriminatórias. Já a USTR abriu investigação para práticas injustas de nações
com quem pratica o comércio mundial, declarando também ser este o caso
brasileiro. Mas, repete-se aqui, a USTR reiterou que, no final das contas o
“problema é político”. Claramente, lá o governo é dito de direita e aqui de
esquerda. As alianças dos EUA são maiores com aqueles identificados,
ideologicamente, enquanto no Brasil se processa a ideologia do
multilateralismo, principalmente com os BRICs, advogando o Brasil a criação de
uma moeda para o bloco.
Os empresários brasileiros se declararam técnicos e não
políticos. Entretanto deixaram escapar que o tarifaço irá prejudicar também a
economia americana, já que as exportações de manufaturados brasileiros irão
cada vez mais para a China. O número 2 do USTR, Chistopher Landau declarou que
lamenta os possíveis prejuízos causados aos negócios de americanos e que isto
estava na conta de Trump. Por fim, disse que estão sempre abertos ao diálogo
com os empresários, mas que são as autoridades brasileiras que tem solução para
o impasse político. Assim, por lá se diz que as negociações das tarifas somente
acontecerão também com a promulgação da anistia.
Instado a opinar sobre as tarifas de Trump ao Brasil, o
presidente da Rússia, Wladimir Putin, declarou que são reflexos de problemas do
governo americano com questões internas do Brasil. Em outras palavras, as
sanções dos EUA sobre o Brasil têm relações com problemas na situação política
doméstica, segundo ele.
A quebra de braço está
posta e certo mesmo está que o PIB brasileiro se reduzirá na sua taxa de
crescimento nos próximos anos. O fato é que as exportações para os EUA
desabaram 18,5% em agosto, muito embora o governo tenha afirmado que a queda
foi mais do que compensada por exportações de outros bens para China, Argentina
e outros países. Na verdade, antecipando às tarifas, muitas exportações de
manufaturados foram antecipadas. No entanto, o déficit comercial com os EUA em
agosto foi de US$1 bilhão, muito embora o saldo da balança comercial fora de
US$6,1 bilhões, também, em agosto.
Comentários
Postar um comentário