ENFOQUE DE ARMANDO AVENA
19-09-2025
O economista Armando Avena, articulista do jornal A Tarde, do
estado da Bahia, tem feito semanalmente análise econômica, de fatos e negócios.
Em seu menor espaço na coluna de ontem, ele faz um diagnóstico da conjuntura e
deixa uma margem para responder, o que ele considera injustificável a decisão
do Banco Central (BC). A seguir:
“Um freio na economia” (título). Segue o texto “A economia
está dando claros sinais de forte desaceleração. A inflação vem caindo há três
meses consecutivos. As expectativas inflacionárias ainda que acima da meta, tem
se reduzido, gradativamente. E a taxa de câmbio está no menor nível dos últimos
quinze meses, abaixo de R$5,55 considerados estratégicos pelo BC. Ainda assim,
o Comitê de Política Monetária manteve a taxa SELIC em 15% ao ano. Como a
inflação caiu, a taxa de juros real ficou ainda maior, em torno de 10%. O
desemprego segue baixo, mas deve crescer logo com a desaceleração econômica. É
injustificável a decisão ortodoxa do Banco Central de não iniciar o ciclo de
queda dos juros”.
O enfoque de Avena é o mesmo da equipe econômica, à exceção
do presidente do BC, que faz parte dela. Querem baixar a taxa básica de juros,
muito elevada, de 15%. Ou melhor, iniciar o ciclo de baixa dela, cujo BC tem
afirmado que será mantida até o final do ano. Ou, quem sabe até o início do
próximo ano.
O que ocorre é ortodoxia econômica pura. A diretoria do BC
está sendo por demais previdente e sabe que a economia estava aquecida pelas
especulações produtivas, que não condizem com o potencial da economia. Por
outro lado, os juros estão bem altos porque o governo central trabalha com
déficits primários, desde janeiro de 2023, tendo que recorrer a empréstimos do
mercado financeiro diários.
Em suma, não é mágica. Os juros vão cair quando não houver déficit
primário. Ou, além do mais, se a inflação cair para o teto da meta, de 4,5%,
estando hoje acima de 5%. Bem mais distante está o centro da meta inflacionária
de 3% ao ano.
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