O MODELO DE CRESCIMENTO

 

21-09-2025


A equação básica da economia é aquela pela qual a oferta agregada (produto interno bruto) é igual à demanda agregada (consumo das famílias, investimentos, gastos do governo, exportações menos importações), em equilíbrio. A dinâmica ocorre puxada pela demanda agregada. Quando se estimula o consumo das famílias há o multiplicador de bens e serviços. Quando se estimula os investimentos há o acelerador de bens e serviços. Quando se estimula os gastos do governo há a multiplicação à semelhança do consumo. Quando se estimula as exportações há aceleração, compensada pelas importações. Face ao exposto, o modelo de crescimento é definido e dinâmico.

No caso brasileiro, o crescimento tem sido baixo e a economia brasileira está sendo desacelerada, visto que a inflação está sendo combatida visto os juros elevados, por volta de 15% ao ano está a SELIC. Os juros altos desestimulam investimentos. Por seu turno, o governo tem ampliado seus gastos e estimulando fortemente o consumo. Como vem operando com déficit primário, desde janeiro de 2023, não tem como pagar os juros, passando a elevar o endividamento público.  A rolagem da dívida é realizada sem dificuldades porque os juros estão elevados.

Em editorial do dia 19, passado, a Folha de São Paulo, intitulado “Lula exagera nos gastos e país paga conta pesada de juros”. Assim, “esquentou a economia com gastos insustentáveis”. Por exemplo, o aumento real dos salários e das aposentadorias, estimado até agora no mandato de Lula, é de R$165 bilhões adicionais. O orçamento público tem por parte das aposentadorias, mais de 50% comprometidos para dispêndios. Então o governo trabalha com déficit primário e se endivida mais ainda.

A Ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, rebateu o citado jornal, dizendo que os gastos maiores são justamente pelo pagamento de juros. Segundo ela, a Folha fez “terrorismo fiscal”, argumentando que o governo pagou aos rentistas no mesmo período dos gastos referidos, R$4,6 trilhões. Ora, quem deve pagará os juros de mercado e isso não é novidade, visto que o País já nasceu devendo, quando os credores t4ransferiram para o Brasil as dívidas de Portugal, principalmente, com a Inglaterra. Ademais, as guerras de independência foram também financiadas. O que mudou foi que antes a dívida era mais externa e hoje é mais interna.  

No segundo mandato de FHC, quando houve ataque especulativo ao real, para captar recursos, o governo chegou até a pagar mais de 40% pela SELIC anual.

 

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