PIB DO SEGUNDO TRIMESTRE DO ANO
03-09-2025
Como sempre, o IBGE demora muito para divulgar o resultado do
segundo trimestre do ano. Julho, agosto e só o fez em 02 de setembro: 64 dias
depois do encerramento. O IBGE alega o cuidado que tem em coletar, processar e
criticar os dados. Mesmo sendo criterioso, já está quase no fim do terceiro
trimestre. Logo, o tratamento de analisar e extrapolar o PIB do ano não causa
surpresas e é isso mesmo que ele quer. O PIB, sempre divulgado por trimestre, bem
como o anual, refere-se a maior amostra do universo dos dados e ele é
subestimado, visto que não incluir as atividades informais não registradas e aquelas
que estão à margem das estatísticas coletadas.
A principal conclusão dos dados apresentados é que a economia
desacelerou no segundo trimestre, crescendo o PIB somente 0,4%, perante 1,4% do
primeiro trimestre. Crescimento menor do PIB está expondo uma economia com
juros altos e com rombo fiscal. Por seu turno, houve um tombo no investimento
produtivo, em máquinas, equipamentos e em obras, no segundo trimestre, de cerca
de 2,2%, em relação ao primeiro trimestre. O valor do investimento, que é a
formação bruta de capital fixo, ficou em 16,8% do PIB. Parece muito, mas não é
visto que grande parte dela é para depreciação e reposição de capitais físicos.
Nos últimos dez anos a taxa do investimento sobre o PIB tem sido inferior a
18%, o que denota tendência ao crescimento baixo, ao contrário dos países
emergentes que tem taxa de investimento sobre o PIB superior a 18% e até, às
vezes, superior a 20%.
Juros altos, cuja taxa básica é hoje de 15% e está projetado
pelo Banco Central que ficará assim até o final do ano, sem contar que ainda
poderá ficar assim elevada nos primeiros meses de 2026, sendo indicativa de que
o futuro não será promissor nos curtos e nos médios prazos, isto porque juros
altos são geralmente obstáculos a aplicações em meio físico de produção. Quando
é mais fácil ganhar dinheiro em aplicações financeiras, afugentando-se o
capital produtivo. Por seu turno, o
governo federal deverá continuar praticando juros altos, devido ao fato de que
o déficit primário mensal, desde janeiro de 2023, levará ao maior endividamento
público. Se não tiver juros altos estes não alimentarão a dívida pública.
Do lado do setor produtivo houve uma queda inesperada de
desempenho do setor agropecuário. O consumo das famílias cresceu, embora tenha
perdido força. O investimento caiu, como já aqui exposto e, as exportações
também, devido principalmente às tarifas adicionais sobre as exportações de
manufaturados para os EUA. Ademais, o indicativo é de que poderão cair mais,
devido às tarifas adicionais impostas pelos EUA terem se elevado de 10%
adicionais para 50% incrementais.
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