PRIMEIRA DEFLAÇÃO EM UM ANO

12-09-2025


Recorde-se aqui que o conceito de inflação é a alta generalizada e persistente no nível geral de preços. A deflação é o contrário da inflação. Há alguns anos a inflação vem sendo combatida, principalmente, via elevação da taxa de juros. Como a inflação brasileira, conforme o professor Delfim Netto, é endógena ao sistema econômico, cabe ao Banco Central (BC) controlá-la e, este, tem sido rigoroso, até mesmo porque o País tem tido persistente déficit primário, que é inflacionário, e o BC o faz com elevadas taxas de juros.

A inflação oficial é calculada pelo IBGE, informando aquele Órgão, relativa a um mês, de 30 dias, ou, quinzenal, óbvios 15 dias, através da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), sendo IPCA-15 ou simplesmente IPCA, calculado para as seis regiões metropolitana do País, que são tidas como proxies ponderadas da inflação real. 

Em agosto, o   IPCA teve queda no nível geral de preços de 0,11%, sendo a primeira queda em 12 meses, o que revela, em síntese, que o BC vem tendo relativo êxito. A queda anterior tinha sido de 0,02%, em agosto de 2024. A redução é a maior em três anos, desde setembro de 2022, mostrando que a inflação tem sido bastante ativa. Entretanto, a queda ainda é pequena, visto que a reunião do Comitê de Política Econômica do BC, que acontece a cada 45 dias, irá analisar, pelo menos, as curvas do PIB e do IPCA, além de fazer correlações para cenários, o que, provavelmente, manterá a SELIC em 15%, projeção que fez na última reunião do citado Comitê, de que poderia ir até o final do ano, visto, principalmente, as trajetórias das citadas curvas.   

O resultado, captado pelo mês de agosto, refletiu a baixa temporária dos preços da energia elétrica, mediante desconto do bônus de Itaipu, cujo efeito tende a ser revertido, a partir de setembro. Ademais, alimentos e gasolina também voltaram a cair no mês referido, aliviando o indicador oficial.

A referida deflação de 0,11% foi menos do que a esperada, conforme mediana calculada semanalmente pelo BC e colocada no Boletim Focus, por analistas econômicos do mercado financeiro. A mediana esperada era de 0,15%, conforme mais indicava a agência Bloomberg, enquanto a inflação de julho fora de alta de 0,26%. 

Em 12 meses seguidos, o IPCA desacelerou para 5,13%. A taxa SELIC está em 15%, quase três vezes mais. Contudo, ela ainda não baixa, visto, principalmente, que, em função do déficit primário, o governo federal tem que recorrer à tomada de empréstimos do mercado financeiro, para rolar e aumentar percentualmente o endividamento, em termos do Produto Interno Bruto.


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