TAXA BÁSICA DE JUROS MUITO ALTA E ESTÁVEL

 

17-09-2025


A economia se compõe de teoria econômica e de política econômica. A taxa básica de juros é um dos princípios da teoria econômica e, na prática, ela é manipulada pelo Banco Central (BC), visto que, se deixá-la à solta, ela pode fazer estragos no sistema econômico. Antônio Delfim Netto, um dos maiores economistas pátrios, tanto como doutor em economia pela USP, como Ministro da Fazenda e do Planejamento, dentre outros cargos que ocupou, afirmou que a taxa de juros é endógena.

Em geral, a teoria econômica comprova que taxa de crescimento econômico e taxa básica de juros variam inversamente. Isto é, quanto mais baixa, maior estimulo à atividade econômica e vice-versa.

Não sem motivo, aqui e nos EUA, que se reúnem a cada 45 dias, existindo nesta semana a reunião do Comitê de Política Econômica do BC, que anunciará a decisão sobre a taxa básica de juros. Aqui, chamada de SELIC, que sairá no final do dia de hoje, se mantida em 15%, o que é mais provável, devido aos sinais econômicos existentes, vale dizer, em estudos econômicos respeitáveis, se baixar um pouco, será uma surpresa, se for elevada, a qual vem sendo fora de cogitação.

A inflação brasileira vem sendo controlada pela elevação da taxa básica de juros, que atingiu o pico de 15% e vem sendo mantida estável, sendo previsto pelo BC que fique assim até o final deste ano. Quem sabe, até o início do próximo. O BC não deve hesitar em que a inflação suba mais e, devido às elevadíssimas taxas da SELIC, a inflação parece regredir, mas, ainda longe do centro da meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional em 3%, com viés de baixa ou de alta de 1,5%. O teto de 4,5% é o que se está agora perseguindo, ainda estando longe de ser atingido, visto que a inflação se encontra acima de 5%, porém, vem baixando lentamente.

Também, não sem motivo, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou ao Estadão, publicação de hoje, que: “Estamos reancorando as expectativas de inflação e isso abrirá espaço para queda da SELIC”. O governo “todo” está ávido para que a SELIC caia, porque sabe que o nível de atividade poderá crescer mais. O próprio presidente da República já fez críticas abertas à direção do BC à que a taxa SELIC deveria cair logo e tem estado impaciente.

Na verdade, a taxa básica de juros brasileira está quase três vezes maior do que a taxa de inflação oficial, medida pelo IPCA. No entanto, o principal motivo para que não caia, não é que a inflação esteja recuando, em direção ao teto da meta, mas, principalmente, porque o governo federal incorre em déficit primário, já a quase três anos, este, o qual deveria servir para o pagamento de juros. No entanto, os juros citados não podem ser pagos e o governo federal tem de recorrer a mais endividamento, além de rolar o principal, em muitas oportunidades. Se baixar a SELIC, não encontrará investidores em aplicações financeiras. Este é o dilema.  

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