BRASIL GASTA MUITO COM JUROS
24-12-2025
Uma coisa bastante óbvia é o Fundo Monetário Internacional
dizer que o Brasil é aquele que, relativamente, a outros países devedores, é
aquele que mais gasta pagando juros. Claro, tem que honrar os compromissos. No
mercado financeiro, o Brasil tem “risco zero”. Vale dizer, o País tem
credibilidade porque disse que não mais faria uma moratória, seja do pagamento
dos juros ou de principal, sendo a última, a de juros, como aquela feita em 1987,
que é o caso mais lembrado, no governo de José Sarney, através de decreto-lei
(pela Constituição de 1988, em tese, poderia vir de medida provisória, mas isso
são “outros quinhentos”) o que trouxe um acirramento do boicote aos negócios
brasileiros. Na época, a dívida pública se aproximava de 200% do PIB e a sua
maior parte era dívida externa (as estatísticas da época não são precisas sobre
o percentual). Em 2024, a dívida pública era 76,5% do PIB. A partir do Plano
Real, de 1994, o País estabilizou a sua economia e, por emenda constitucional no.
30/2000, alterando o artigo 200 da Constituição, a partir de 2001, regulamentou-se
o sequestro de recursos públicos no pagamento dos precatórios, tornando-se impossibilitado
declarar moratória ou calote da dívida pública ou sequestro de dinheiro,
conforme a experiência tão negativa do governo de Fernando Collor, em 1990. Desde
a independência em 1822, em alguns momentos da história, o País fez moratória.
Por exemplo, em 1937, no governo Vargas, houve suspensão do pagamento da dívida
externa, de principal e de juros.
No site Areavip, de hoje: “O Brasil deve terminar 2025 como o
país com maior gasto do mundo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). O
País se consagrará como o que mais gasta com juros da dívida pública entre todos
os outros países. A taxa elevada combina dívida pública elevada com taxa básica
de juros em níveis estratosféricos da gestão Galípolo no Banco Central,
deixando o País em situação desagradável ante a comunidade internacional.
Segundo análise do Valor Econômico, através de Dados do Fundo Monetário
Internacional (FMI), recolhidos na base de Dados da Finanças Públicas Moderna,
o País já liderou o ranking em 2024, com gastos equivalentes a 8,28% do PIB e deve
continuar no topo este ano. Dos 153 países, o Brasil surge à frente de Sri
Lanka, Paquistão, Bahein, México, África do Sul e Índia. De outubro a outubro,
os gastos com juros somam R$987,2 bilhões, o que equivale a 7,88% do PIB, que
poderiam ser investidos em diversos setores do País. Para o fim do ano, a
expectativa é que esse valor ultrapasse R$1 trilhão, chegando a cerca de 8% do
PIB”.
Em suma, um país que teve neste dezembro um orçamento publico
aprovado, prevendo receitas de R$4,5 trilhões e gastos públicos de R$6,5
trilhões, tem que captar no mercado financeiro ou cobrar mais tributos, hoje, carga
tributária por volta de 34% do PIB, R$2 trilhões, para pagar os juros da dívida
corrente e realizar gastos que estão fora do arcabouço fiscal. Um país de
muitas dificuldades no exercício das finanças públicas.
Olhando melhor, mais de um terço do dinheiro do País se
encontra transferido para o governo federal e isto reduz a dinâmica de
crescimento da atividade econômica. Está aí, o estrangulamento que não permite
ao País crescer como anseia. Muito dinheiro retido antes de ir para a atividade
econômica e outros dinheiros gastados improdutivamente. Enfim, demanda agregada
maior do que oferta agregada gera a famosa inflação de demanda. Demanda
monetária maior do que oferta monetária gera inflação monetária. Daí, o governo
tem que enxugar dinheiro via dívida pública, uma bola de neve, no caso
brasileiro e isto não é novo, o problema é que está piorando.
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