LEGISLAR EM CAUSA PRÓPRIA
21-12-2025
O Congresso Brasileiro, desde 31 de agosto vem debatendo o orçamento federal do próximo ano. Conforme projetos de lei específicos. Anteontem, ele foi aprovado e se tonou lugar de tensões entre representantes da União e os congressistas, devido aos cortes em despesas obrigatórias, para ampliar o volume de emendas parlamentares. O fundo eleitoral poderá chegar a R$4,96 bilhões e os recursos sob gestão parlamentar poderão alcançar R$61,4 bilhões. Assim, o Congresso aprovou o orçamento com cortes da Previdência Social e do Programa Pé-de-Meia, que é voltado à educação e assistência social. Claro, isto é também legislar em causa própria. Entretanto, para acomodar os orçamentos bilionários dos três poderes, além dos ministérios executivos, de áreas afins e dos investimentos estatais, muitas coisas poderiam ser também chamadas de “legislar em causa própria”. Em outros tempos, um presidente eleito, Fernando Collor, em 1990, foi eleito com a bandeira de “caça aos marajás” e, foi afastado do poder por corrupção, outro, foi preso, o presidente Lula, por escândalos como o “mensalão” e o “petrolão”. Os inquéritos de Lula foram anulados e transferidos de fórum e ele foi reeleito. Agora, no seu mandato está surgindo outro escândalo, o “descontão”, relativo a fraudes no INSS.
Dessa forma, o Projeto de Lei
Orçamentária Anual para 2026 prevê superávit primário de R$34,5 bilhões,
excluindo os gastos com juros da dívida pública. Por este ser apenas R$200
milhões, acima da meta fiscal e está dentro da “banda de tolerância” permitido
pelo novo arcabouço fiscal, que pode ir de déficit zero até superávit primário
maior. Não é um “superávit folgado” é um
“superávit calibrado” para bater a meta fiscal.
As receitas totais previstas para
2026 são de aproximadamente R$4,5 trilhões. Referidas receitas são divididas em
duas partes: receitas correntes de cerca de R$3,27 trilhões e receitas de
capital em torno de R$1,24 trilhão. As despesas totais previstas são de R$6,5
trilhões, incluindo pagamentos de juros e de outras obrigações da dívida pública.
Quer dizer, o déficit nominal estimado é de R$2 trilhões. Um déficit nominal
cavalar, de um governo gastador que, seguramente, irá também rolar a dívida
pública como tem feito outros governos anteriores desde a independência
política. Vale dizer, o País sempre foi um País dependente associado, no dizer
e nos escritos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Não sem motivo, existe a sanha
tributária, cuja carga está por volta de 34% do PIB e tem tido crescimento de
todo e sempre. Também, não sem motivo, o governo federal faz apostas em ampliar
receitas de diferentes formas, a saber: aprovação do projeto do devedor
contumaz, aumento de tributos sobre juros sobre capital próprio (rubrica no
balanço das empresas), sobre casas de apostas (bets) e financeiras tecnológicas
(fintechs), além de cortes de benefícios fiscais. Entretanto, o leque de
criação de tributos é muito grande, tais como taxar as grandes fortunas, tributar
sobre dividendos e de elevar as alíquotas sobre heranças e doações,
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