POLICIAR A AMÉRICA LATINA É INCERTO
08-01-2026
Segundo o editor-chefe da revista Americas Quartely, Brian
Winter, a invasão dos EUA na Venezuela significa a tentativa de retorno à
Doutrina Monroe, de “policiar” a América Latina, ao declarar que a região é esfera
e área de influência norte-americana. A Doutrina Monroe foi colocada pelo
presidente James Monroe, em 1823, quando os EUA, já estavam se agigantando
entre os maiores países do globo. Ela teve maior valor político e simbólico,
porque os EUA não tinham força militar sozinhos. A referida doutrina ficou
famosa pelo princípio resumido na frase: “A América para os americanos”. Na
prática, significava que as potências europeias não deveriam mais colonizar nem
intervir nos assuntos do novo continente e, em troca, os EUA não se envolveriam
nos conflitos internos da Europa. Quando os EUA adquiram força eles passaram a
intervir no mundo.
Em operação militar no dia 03, deste mês, Donald Trump realizou
a prisão do presidente Nicolas Maduro e de sua mulher, levando-os para serem
julgados por crimes em Nova York. A última intervenção militar dos EUA tinha
sido há 35 anos, com a abdução do ditador do Panamá, Manuel Noriega. Para o
citado jornalista, embora tenha sido um sucesso de Trump, ele acredita serem
incertos outros êxitos. Falava-se que as relações tensas com a Colômbia
poderiam gerar também intervenção. Porém, ontem mesmo, em conversa telefônica,
o presidente Gustavo Petro teve um contato com Trump, depois de um período de
tensões diplomáticas entre os dois países e eles combinaram um encontro oficial
na Casa Branca em breve. Fala-se também que os EUA poderiam ter influências nas
eleições deste ano do Brasil. Em Cuba se fala em intervenção militar, desde
1960, mas o que existe é um bloqueio econômico.
Em resumo, desde o fim da Guerra Fria, depois da segunda
guerra mundial, que os EUA não reeditaram o período de Roosevelt. Pelo
contrário, nos anos de 1990 houve o consenso de Washington, mediante
alinhamento da grande maioria dos países da região com os EUA. O que Trump tem
feito é procurar levar proveito, no processo de “morde e assopra”. Isto também
ele está fazendo em outros locais mundiais. Recorde-se aqui que Trump reedita o
slogan criado em 2016, reutilizado em 2020 e mantido em 2024: “Make America
Great Again”. Lema oficial, reconhecido e simbólico. Em matérias e discursos
também apareceram variações como “Save America”. “America First”. “America
First Agenda”. Ou seja: críticas à imigração ilegal; discursos contra elites
políticas e instituições federais; promessas de reindustrialização e de nacionalismo
econômico.
Comentários
Postar um comentário