PRÉVIA DO PIB ACIMA DO ESPERADO
17-01-2026
O mercado financeiro viu o Banco Central ontem divulgar a
prévia do PIB de novembro maior do que esperado. Por seu turno, as taxas
futuras de juros, negociadas em contratos na bolsa de valores, subiram em
seguida, visto que se o PIB for maior do que a demanda agregada, haverá um
hiato inflacionário monetário. Tecnicamente, isto é chamado de inflação de
demanda. Há outros tipos de inflação, tais como a de custos, a especulativa com
os preços, a demanda externa e até a demanda da política incompatível de distribuição
de renda, intermeada pelo governo, tal como chama Mario Henrique Simonsen, em
seus livros, principalmente em textos da Fundação Getúlio Vargas. Parece que a maioria
dos economistas acredita em inflação de demanda. Em outras palavras, se o PIB
vem maior o ajuste se dará pela elevação do nível de preços. Dessa maneira, o
mercado começou a retardar previsões de início do ciclo de baixa da taxa básica
de juros, a SELIC, e isto funciona como um freio para a expectativa da
atividade econômica. As reclamações das classes empresariais continuarão mais
fortes.
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br)
subiu 0,7% em novembro sobre o mês anterior. A leitura superou a estimativa de
pesquisas cotidianas das agências de estudos, tais como a Reuters, que calculou
uma média de avanço de 0,30%. O estrategista chefe da RB Investimentos, citado
pela CNN Brasil, Gustavo Cruz, afirmou que: “A atividade econômica vindo um
pouco mais forte no final do ano passado pode fazer com que o Banco Central
demore um pouco mais para cortar a taxa de juros”. A primeira reunião do ano
será no final de janeiro e a expectativa captada pela Reuters é de manutenção
da SELIC em 15%, com investidores antevendo o ciclo de cortes para meses
futuros, quando há vários meses atrás se declarava que a SELIC recuaria em
0,25%, em janeiro. Em princípio, isto parece frustrante, dada a visão
estritamente monetarista. No entanto, mediante déficit primário seguidos, de
muitos anos, sabe-se que o Tesouro Nacional irá rolar o pagamento dos juros da
dívida e isto exige do mercado financeiro que pratique taxas elevadas de juros.
A dívida pública continuará na parte crescente da curva e o governo apertará a
sua política fiscal, demandando mais arrecadação. Os movimentos contraem os
esforços de crescimento do PIB, seja porque mais tributos reduzem o dinheiro
para investimentos, indo para o governo, cujos gastos nem sempre tem reflexos
produtivos. Na verdade, a maioria vai para o consumo das famílias, pelos
benefícios da Previdência Social e pelos programas sociais.
A prévia do PIB acima referida, após três meses de contração
da atividade econômica, indicando uma reversão de expectativas, fizeram os
analistas financeiros ratificarem um crescimento do PIB de 2,26% em 2025.
Quanto a 2026, a expectativa é de desaceleração, para fechar o ano em 1,8%.
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