PROJEÇÕES DE DÉFICITS CONTINUADOS
15-01-2026
A economia brasileira, tradicionalmente, vem sendo puxada
pelo lado da demanda agregada, notadamente, pelo consumo das famílias, que tem
correspondido a cerca de 60% do PIB. A demanda agregada é o consumo das
famílias, os gastos do governo, os investimentos, as exportações menos as
importações, sendo igual ao PIB, na equação de equilíbrio macroeconômico. Outra
coisa é o orçamento público federal, onde, em equilíbrio as receitas devem ser
iguais as despesas. Ocorre que, desde 2014, depois de 16 anos de superávit
primário, de 1998 a 2013, o governo federal passou a incorrer em déficit
primário, à exceção do superávit primário de 2022, agora já com praticamente o
terceiro mandato do presidente Lula, tem existido déficit primário e os
orçamentos programados tem sido de déficits continuados. A economia tem
crescido aos níveis moderados. Diferentemente, dos dois mandatos do presidente
Lula (2023-2010), quando houve superávit primário e a economia brasileira
cresceu 4% anuais.
Anteontem, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgou
dados preocupantes, referindo-se a que as contas do governo federal poderão
permanecer no vermelho até 2027. Visando equilibrar o orçamento, a equipe
econômica se refere à necessidade de medidas adicionais de arrecadação.
Enquanto o esforço fiscal estimado para 2026 é de 0,25% de déficit ou de
superávit, não obstante metas progressivas aprovadas de superávit que chegariam
a 1,25% do PIB até 2029, para garantir a sustentabilidade das contas. Em cálculo
preliminar, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem se referido a um
déficit de 1% em 2025. Ora, a carga tributária já corresponde a cerca de 34% do
PIB, o que tem engessado a economia nacional, o fato de tributar mais com
medidas adicionais de arrecadação, engessará ainda mais o aparelho produtivo.
Mediante déficits primários, os juros da dívida não poderão
ser pagos e o governo continuará demandando recursos no mercado financeiro, que
exige taxas altas e, por longo período está e estará em dois dígitos, sufocando
a atividade econômica. A dívida pública deverá continuar avançando até 2032,
quando poderá atingir o pico de 88,6% do PIB, nos cálculos oficiais. Pelos
cálculos do FMI a relação ainda será maior em 2032, de 95% do PIB, colocando o
País em um patamar superior à média dos países emergentes.
Em relatório, a SRF informou que o governo nos últimos anos
já elevou diversos tributos, como aumentos de alíquotas do IOF, taxação de
fundos off shores, apostas on line e encomendas nacionais. E quer mais.
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