RELATÓRIO DE PERSPECTIVAS DO FMI

 

21-01-2026

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publica trimestralmente relatório sobre Perspectivas Mundiais de Crescimento. O divulgado ontem trouxe uma retração de 0,3% do PIB brasileiro, estimado em outubro de 1,9%, sendo agora projetado para em 1,6%. Já, para os EUA o Fundo elevou a projeção atual do PIB em 0,3%, indo para 2,4%.  O FMI está prevendo uma desaceleração ainda maior do PIB brasileiro do que aquela prevista pelo mercado financeiro nacional. Por que isto, ainda mais perante a perspectiva de bons negócios, após acordo de melhor comércio entre o Mercosul e a União Europeia? Provavelmente, em razão de ser recente o citado relatório, o FMI não levou em conta o exame do citado documento. Ademais, o referido acordo irá ser iniciado em horizonte de médio prazo. O fato é que a Confederação Nacional da Indústria está muito otimista e acredita que cerca de cinco mil produtos de exportação poderão ser beneficiados. Talvez aí também esteja um dos motivos pelos quais a bolsa de valores vem batendo recorde atrás de recorde, tal como fez ontem, indo a 166.277 pontos pela primeira vez, impulsionado por ações de mineradoras, bancos e petroleiras. A propósito, existe uma máxima de que a bolsa sobe no “boato” e cai no “fato”. Ou seja, ela se antecipa às realizações, em geral, fazendo depois os ajustes.

A estimativa do FMI é de uma desaceleração da atividade econômica nacional, de cerca de 1,00%, em relação a 2025, quando o PIB doméstico parece que cresceu 2,50%. A maior influência para o recuo da taxa do FMI para o Brasil se deve à efetividade dos reflexos das tarifas adicionais de cerca de 40% dos EUA sobre uma gama variada as exportações brasileiras. São 10% de tarifas preexistentes, chamadas de tarifas recíprocas, mais 40% de tarifas adicionais. Ao todo, 50% a carga. As tarifas atingem mais o setor industrial do País, visto que Trump tem como ideal recriar ou incentivar a indústria dos EUA, que perdeu campo pela concorrência internacional de baixo custo relativo aos da sua economia doméstica.

Conforme o FMI, o Brasil somente voltará a crescer mais em 2027, cuja estimativa está sendo de 2,30%. Ainda, assim, segundo o Fundo, o País crescerá menos do que a média dos países latino-americanos, cujas estimativas são de 2,20% neste ano e de 2,70% no próximo. Segundo o FMI, os países da América Latina estão em ciclos de diferentes posicionamentos. Já, para os países emergentes o FMI projeta um crescimento médio de 4,2% em 2026 e de 4,1% em 2027. Ou seja, o Brasil continua se distanciando, em termos de progresso, daquele grupo de países do seu tamanho.

Quanto ao PIB global o citado relatório estima que em 2026 crescerá 3,30%. Para 2027, a estimativa é de 3,20%.

Em resumo, o fato é de que o FMI não está vendo com bons olhos o desempenho da economia brasileira. A inflação embora perto do teto da meta de 4,50%. Porém, a taxa básica de juros prevista continua em dois dígitos, o que dificulta o desempenho das atividades produtivas de uma forma em geral.

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