ROMBOS NA PREVIDÊNCIA SOCIAL
31-01-2026
Conforme o Relatório de Contas do Governo Central,
consolidando dados da Previdência Social, do Tesouro Nacional e do Banco
Central, divulgado anteontem, pela primeira vez na série histórica, as despesas
com a Previdência Social ultrapassaram R$1 trilhão. Ou seja, os custos com ela em
2025 foram de R$1,026 trilhão e as receitas líquidas previstas para os
pagamentos de benefícios previdenciários somaram R$709,7 bilhões, resultando em
um déficit de R$317,1 bilhões. Em comparação com 2024, as despesas com
benefícios aumentaram R$87 bilhões. No ano anterior os custos em referência
foram de R$939 bilhões. O orçamento deste ano prevê despesas da espécie de
R$1,11 trilhão, já antevendo elevado aumento, já que as previsões do ano
passado foram de R$709,7 bilhões, elevação estimada de 55%. Trajetória de alta
e, em explosão, devido à existência de déficit, ao rápido envelhecimento da
população e ao recorde de afastamentos temporários do trabalho, por doenças,
que foram de 4 milhões de pessoas em 2025.
Na comparação com o orçamento para o Ministério da Saúde o
rombo da Previdência de 317,1 bilhões ultrapassa o da Saúde de R$271,3 bilhões.
Além do mais o orçamento de 2026 para a Previdência é de 4 a 5 vezes maior do
que o da Saúde.
As informações recolhidas não incluem o resultado do regime
de aposentadorias dos servidores públicos, nem daquele dos militares das Forças
Armadas, que podem indicar um impacto ainda maior no sistema previdenciário
sobre as finanças públicas, que poderiam também ser retratados no relatório do
governo central.
Quando são considerados as receitas e as despesas do
orçamento federal aprovado para este ano há a previsão de um superávit primário
de cerca de R$34 bilhões, dentro dos limites dos vieses de alta de 0,25% e, de
baixa (que seria déficit primário) de 0,25%.
Não sem motivo, a situação é de aperto das finanças públicas
e o referido orçamento já conta com a previsão de cerca de R$1,8 trilhão,
destinados ao refinanciamento da dívida pública, isto porque o citado orçamento
tem seus custos orçados em despesas obrigatórias, discricionárias,
investimentos e outros gastos, sendo bastante improvável que não se recorram
aos financiamentos para o endividamento. Assim, não é atoa que os juros básicos
da economia estão em 15%, mantidos pela quinta vez seguida de reunião do Banco
Central, e que levou em 2025, a dívida pública para o crescimento de 18%, em
relação a 2024. Está aí um ponto de estrangulamento, se os juros baixarem, como
querem as forças produtivas e os seus simpatizantes, chegará a um ponto em que
estará muito difícil captar dinheiro e o governo precisa muito disso. Portanto,
os juros básicos estão altos (quase 4 vezes mais do que aqueles praticados pelo
Federal Reserve dos EUA) não somente para combater a inflação, que está
convergindo para o centro da meta, mas que também não poderão baixar tanto,
senão perderão o foco principal.
Comentários
Postar um comentário