TAXA BASICA DE JUROS DESEQUILIBRADA

 

26-02-2026


A teoria econômica se divide em microeconomia e macroeconomia. O modelo do investimento é função da taxa de juros, onde I = f(i), sendo I o investimento e i a taxa de juros. No modelo, ela é independente. Porém, para que o go verno exerça a política econômica é preciso controlá-la. Ela se torna endógena ao sistema econômico.

A taxa básica de juros, a chamada SELIC, desde quando tem sido usada aqui, há décadas, tem sido de forma desequilibrada. Isso mesmo, não dá para entender mesmo, pela lógica matemática, que a inflação oficial de 2025 foi de 4,26% e a SELIC encerrou o ano em 15%. Mais de três vezes. Em um pis desenvolvido, como na União Europeia, no Reino Unido ou nos Estados Unidos, a taxa básica de juros é próxima da taxa de incremento do PIB. No Japão ela chega a ser inferior ao PIB.

Entretanto, no Brasil, a SELIC tem um compromisso velado, qual seja o de atrair os aplicadores financeiros para papéis da dívida pública, haja vista que, pelo menos, desde 2014, o governo federal vem tendo déficit primário e precisa captar dinheiro no mercado, para rolar a dívida pública, por isso é preciso mantê-la elevada. Assim, é conversa fiada que a SELIC alta é para combater a inflação. É também. Porém, nesse nível estrondoso e desproporcional? Esta é “conversa para boi dormir”. Ademais, a inflação nos últimos meses tem convergido para o centro da meta, fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 3,0%, dentro da faixa de tolerância que chega a 4,5%, visto que a inflação está menor do que este teto em referência. E a SELIC ficou imutável por vários meses em 15%. Além do mais, as projeções para até o final do ano, do mercado financeiro, é de que ela encerre o exercício de 2026 em 12%. Entretanto, alguns gestores do mercado financeiro, por estes dias, estão prevendo que ela encerre 2026 em 11%. Ainda muito alta, mas a nova previsão é de um recuo de quase 8,5%.  

Enfim, no Brasil a sincronia entre produção e taxa de juros não é das melhores, até porque existem muitos subsídios financeiros fiscais e materiais, concedidos pelo governo, que mascara a referida sincronia, que existe nos países ditos desenvolvidos.

Como o Banco Central é independente, por lei, e se não fosse, o governo já teria obrigado a baixar juros, tal como fez em anos passados, a SELIC é verdadeiramente alta para captar dinheiro, alimentando a crescente dívida pública.

Na verdade, o ciclo de corte da SELIC é solicitado pelas forças produtivas de forma mais agressiva e que possa elevar a atividade econômica.

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