CONTINUA A LEITURA DO PIB
05-03-2026
Divulgado pelo IBGE o PIB de 2025, existem muitas leituras do
que ocorreu e a perspectiva de muitas economias globais, visto que a época
coincide como os institutos de estatísticas, divulgando dados dos seus países.
A conceituada agência de risco Austin Rating calculou a classificação do valor
absoluto do PIB de vários países e verificou que o Brasil, que estava na décima
posição passou para a décima primeira, em dólares, bem como a sua economia, que
tinha crescido em 2024 cerca de 3,4%, desacelerou em 2025, para 2,3% e
apresenta baixa formação do capital fixo, em relação aos cinco anos anteriores,
qual seja, a composição de investimentos públicos e investimentos privados. A
inferência da Austin Ratings é de que em 2026 e 2027 a taxa de crescimento do
PIB será ainda menor, o que confirma o que as instituições financeiras,
consultadas semanalmente pelo Banco Central estão prevendo crescimento do PIB
de 1,8%, tanto para 2026 como para 2027. Ademais, os cenários feitos pelos
atores citados não consideravam a nova guerra que surgiu, repentinamente,
envolvendo 11 países do Oriente Médio, após os conflitos entre Israel, EUA e
Irã, de grande porte, que estão turbinando os preços do petróleo, elevando os
preços das commodities, especialmente, dos alimentos, pelo encarecimento dos
fertilizantes nitrogenados e repiques na inflação. Não se sabe como a guerra
continuará, os EUA afirmam que durará pelo menos de quatro a cinco semanas, o
Irã declarou que não irá negociar, que fechará o estreito de Ormuz, por onde
passam 20% do petróleo global. Os EUA declararam que vão comboiar os
petroleiros na área. A tendência é de os conflitos continuarem e mais intensos.
De forma diferente da Austin, a Agência Brasil calculou a
classificação relativa do Brasil pela taxa de crescimento, que, no grupo das 20
economias mais fortes, as quais detêm 80% do PIB mundial, observando dados de
16 países, ranqueou o País em 6º lugar. Uma posição notável, não fosse faltarem
ainda 4 economias do grupo a serem computadas. Ademais, considerou a citada
Agência, que o País cresceu à taxa um pouco maior do que os Estados Unidos, que
ficou em sétimo lugar em taxa de crescimento, uma economia pesada e que cresce
geralmente a taxas modestas, mais não considerou que cresceu muito menos do que
a China e, da Índia, como exemplo esta última, que cresceu 7,5% em 2025. A
questão relativa é muito importante, haja vista que deveria ser ressaltado que
o País foi resiliente com respeito à imposição de tarifas nas exportações de
milhares de produtos industrializados, de cerca de 50%, pelos EUA. Além de ter
buscado novos mercados de exportação e de ter feito acordo comercial com a União
Europeia, após 26 anos de negociações. Além do mais, a citada Agência acredita
que a explicação do baixo crescimento, dada pela equipe econômica, deve-se aos
altos juros praticados, já há bom tempo em mais de dois dígitos. Atualmente, em
15% ao ano.
A leitura do economista Alexandre Schwartman, ex-diretor do
Banco Central, sobre o PIB de 2025 é de que houve um crescimento insuficiente
apesar do resultado positivo. A atividade econômica tem sido fraca e abaixo do
potencial da economia brasileira. Isso reflete que o País continua num ritmo
modesto. Alexandre tem repetido em suas colunas e comentários a ideia de que o
problema não é de apenas o número agregado do PIB, mas a baixa produtividade,
em grande parte do País, o que limita o crescimento sustentável no longo prazo.
O aumento da produtividade por trabalhador tem sido muito baixo, inferior, ao
que se observa em economias emergentes comparáveis. O setor agropecuário é que
tem dado a dinâmica da produtividade, mas isso não se espalha em igual
intensidade para o setor industrial e para o setor de serviços. Em síntese, ele
coloca que aa economia continua vulnerável a fatores cíclicos e da política
monetária. Assim, continua difícil acelerar sem reformas, precisando de mais
investimentos e de maior abertura econômica.
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