DUPLA CARGA DE MÁ NUTRIÇÃO
17-04-2026
O fenômeno da dupla carga de má
nutrição se encontra principalmente em favelas brasileiras, segundo o Instituto
Desiderata. Seu recente estudo revelou que 60,7% das pessoas que vivem nas
favelas do País enfrentam algum grau de insegurança alimentar, ao mesmo tempo
que a pesquisa deles evidencia uma contradição crescente, a presença simultânea
de fome e de excesso de peso entre crianças, o que conhecido como dupla carga
de má alimentação.
A pesquisa ouviu 900 domicílios
em três territórios, sendo o Complexo da Maré e o Complexo do Caramujo, ambas
no Rio de Janeiro, além da favela de Coque, em Pernambuco. Observou-se que,
entre crianças de 5 a 10 anos, 34,7% apresentavam excesso de peso, estando mais
de 21% com sobrepeso e 12,9% com obesidade.
Fatores estruturais estão
condicionando que a alimentação nesses territórios seja tão deficiente. Assim,
os preços dos alimentos aparecem como a principal barreira. Cerca de 43,0% dos
entrevistados afirmaram que itens in natura, mesmo disponíveis, não são
acessíveis por motivo de renda insuficiente. Por seu turno, alimentos
ultraprocessados são mais consumidos.
Outra dificuldade importante é o
acesso físico. Por volta de 33,0% dos moradores levam mais de 30 minutos para
chegar ao principal local de compra de alimentos, sendo que 58,0% fazem esse
trajeto a pé.
Os analistas da pesquisa
consideram como “pântanos alimentares” as dificuldades encontradas pelas
famílias. Ou seja, a dependência do
comércio local e de mercadinhos, que reforçam a referida sujeição a produtos
nem sempre saudáveis e de “desertos” alimentares, em face da escassez de opções
nutritivas.
A pesquisa se referiu a pontos de
estrangulamento estruturais. Porém, sem dúvida, a renda é o maior limite para a
alimentação. Entretanto, a educação formal é muito importante, até mesmo para
gerar incrementos de renda.
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