RECORDES DE ENDIVIDAMENTO
29-04-2026
Em economia, observa-se que,
elevando-se o custo de vida, as famílias, as empresas e os governos vão para o auxílio
de gastos, que é o endividamento. O exame a seguir, será através do modelo de três
setores macroeconômicos com as famílias (C), as empresas (I) e o governo
central (G). Ou seja, PIB = C + I + G.
No mês de fevereiro, o endividamento das
famílias bateu recorde de 49,9%, igualando-se ao recorde de julho de 2022 de
49,9%, conforme informou o Banco Central. Naquela época havia a pandemia da
covid-19, mediante desemprego bastante elevado e o recurso às dívidas era uma
solução imediata. Em fevereiro, a guerra do Oriente Médio começou no último dia
(28). Já dura dois meses. As dificuldades financeiras das famílias se tornaram
mais presentes, através do custo de vida. Estes dois momentos são os picos da
série histórica. Imagine-se agora com o recrudescimento inflacionário pela
continuidade da guerra? Se ela continuar em maio, o Banco Mundial projeta também
uma elevação da energia elétrica em 25%. As taxas de juros permanecerão muito
altas, tendo levado ao governo a preparar programa de refinanciamento de dívidas
e até com grandes descontos. Subtraídas as dívidas imobiliárias das famílias, o
endividamento delas passou de 31,3% em janeiro, para 31,4% em fevereiro.
Por seu turno, principalmente,
devido à continuidade do déficit primário, o endividamento do governo
brasileiro, tendo como indicador mais usado a dívida bruta do governo geral
sobre o PIB, flutuando entre 78% a 79% do PIB, 2025/2026, conforme CNN Brasil.
A dívida líquida é a dívida bruta subtraídas as reservas, ficando aproximadamente,
em 65% do PIB. Observe-se que estão ambas as dívidas muito elevadas. O bom
senso em manuais de projetos é de que não deve o endividamento ultrapassar 60%
da capacidade de pagamento.
Por sua vez, o endividamento
total das empresas não financeiras no Brasil gira em torno de 50% a 60% do PIB.
Conforme acima, encontra-se dentro da capacidade de pagamento que pode ser
comprometida, já citada. Mesmo assim, do total de empresas no Brasil existiam
8,9 milhões de empresas inadimplentes, com dívidas negativadas de R$213 bilhões,
em 2025. Existiam 20 milhões de pequenas e médias pessoas jurídicas, além de 15
milhões de microempreendedores individuais, totalizando 35 milhões. Ou seja,
25% estavam inadimplentes.
O economista Armínio Fraga, que
já foi da equipe do megainvestidor George Soros, além de presidente do Banco Central
do Brasil, enxerga o cenário atual de vexame. Disse ele, ao jornal Valor, que
“É um mundo onde a ordem global acabou. Não adianta tentar pintar um quadro
mais róseo. Acabou mesmo. O que vem pela frente é difícil de prever. Transições
hegemônicas tendem a ter períodos de turbulência. De repente, a gente acorda com
a volta do Estado-Nação e com tudo aquilo que dá medo, em que vale mais a força
do que a forma institucional” A sua preocupação se volta também para o
endividamento global das nações. Ele não descarta que se caminha para um
período semelhante ao processo de estagflação. Em outras palavras, ele vê dias
ruins no futuro próximo. Recorda, para o Brasil, que houve longo período de
superávit fiscal, 16 anos seguidos, de 1998 a 2013. Mas, desde 2014, os
déficits primários têm sido também seguidos, à exceção de 2022, quando houve
superávit. Se, bem antes, o governo rolava o principal da dívida, desde 2013
tem rolado também os juros, O governo federal não tem como pagar os juros da
dívida e recorre à captação de recursos e ao endividamento.
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