DE NOVO O PROBLEMA DA DÍVIDA

 

02-05-2026


Um problema velado da economia brasileira tem sido, historicamente, a dívida pública. Ou seja, ela tem provocado um efeito explosivo na contabilidade nacional. Um país que teve sua independência política em 1822, tendo Dom Pedro I aceitado a transferência da dívida de Portugal, principalmente com a Inglaterra, inclusive, as dívidas de guerra da independência, que também foram com ela. Um País que já nasceu devendo. E, depois, sempre se falou que é um País soberano. Um País que fica à mercê dos banqueiros nacionais e internacionais, para captar dinheiro e servir de pagamento do principal dos débitos, inclusive, também, dos juros, tem uma soberania relativa. Quer ver, diga que não vai pagar o principal. O que foi conhecido como moratória e o Brasil sofreu restrições e um “inferno” aconteceu na economia brasileira. Até mesmo, não pagar os juros. A moratória os juros, por exemplo, a última moratória, feita no governo de José Sarney, a economia brasileira passou por mal momentos e entrou e recessão.

Dessa maneira, trata-se de um País que teve e tem que praticar juros elevados, senão não capta dinheiro, quebrando como muito aconteceu no passado, quando a maior pare da dívida era externa. Hoje, esta é menor do que 10% do estoque global. No passado, até o século XX, chegou a flutuar até 90% do referido estoque. Mesmo assim, deve muito e está à mercê de banqueiros. Desde a campanha de Lula ao governo, em 2002, ele prometia reduzir o lucro dos bancos e nunca os bancos lucraram tanto nestes 24 anos. Poucos negócios ganham tanto como por volta de 20% ao ano. Assim, veja-se bem a maior empresa da América Latina é o conglomerado do Banco Itaú.

Não sem motivo, a taxa básica de juros é o triplo da taxa inflacionária, havendo a desculpa de que ela é assim para combater a elevada inflação. Isto é falso. Ela é assim, antes de tudo, para captar dinheiro. Nesta semana mesmo, a reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central fixou a taxa básica de juros em 14,50%, a SELIC. Os empresários reclamam de tão alta a SELIC, a qual influencia para cima as taxas de empréstimos, principalmente, para capital de giro. Este é um desestímulo para a atividade produtiva, visto que se ganha mais, aplicando no mercado financeiro do que produzindo.

A propósito, a curva inflacionária vinha caído, a tal ponto que a curva de juros, ascendente por mais de um ano, estava sendo vista para reiniciar a parte da curva de queda, tendo começado na reunião março, e, nesta, era presumível que iniciaria o ciclo de queda de 0,5% ao mês, chegando a 10,5% no final do ano. Entretanto, com a guerra no Oriente Médio, a inflação tem recrudescido e o ciclo de queda mensal da SELIC foi reduzido à metade, de cerca de 0,25% a cada 45 dias, encerrando o ano, em revisão da previsão do início do ano de cerca de 10,5%, esta agora, em 13%. Uma frustração de expectativas empresariais. Se a citada guerra continuar, e Donald Trump declarou ontem que não está satisfeito com a proposta do Irã, o preço do barril do petróleo já bateu o recorde, indo a US$126.00, o País continuará tendo inflação alta, SELIC elevadíssima e baixo crescimento da atividade produtiva.

Por seu turno, o Banco Central informou que a dívida pública bruta ultrapassou em março os 80,1% do PIB, um dos recordes deste século, o que, teoricamente, deveria ser tolerado até 60% do PIB. Trata-se do maior nível desde março de 2021, em plena pandemia, a qual o governo federal teve que enfrentar, pedindo socorro ao Congresso Nacional, para gastos emergenciais, o que Lula também pediu, em emergência, para elevar gastos sociais, como pouco antes vistos.   

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