GANHO FINANCEIRO E GANHO PRODUTIVO

 

08-05-2026


A atividade econômica tem como escopo a taxa de lucro. Há várias formas de ver a referida taxa. O que mais interessa para o rentista ou para o capitalista é o ganho final, cuja taxa de lucro tem pelo menos duas formas:  ganho monetário e ganho real. Como uma das visões da economia é a pretensa igualdade ou maior similaridade possível entre as duas esferas: a esfera real e a esfera monetária, a taxa de lucro é aquela sobre o lucro líquido.

Assim, no mercado financeiro a forma mais líquida é ver o ganho real. Ou seja, o ganho monetário é o ganho corrente. O ganho real, que é o que mais interessa é o ganho monetário descontada a raxa inflacionária, ou seja, i = 1 + r / 1 + d, onde i é a taxa real; r é a taxa básica de juros e d é a taxa de inflação. Hoje, no Basil, a taxa básica de juros é de 14,5% ao ano, levando-se a uma taxa real de juros de 9,33%, a segunda maior taxa do mundo. A primeira taxa mundial praticada é a da Turquia, de cerca de 10,4%. Rússia e Argentina aparecem logo depois. Uma dedução lógica é de que aplicar o capital no mercado financeiro geralmente é “melhor” do que aplicar no mercado produtivo, onde as taxas de lucro são bem menores e dificilmente passam as taxas de lucro do mercado financeiro.  

Um exame de similaridade é ver o resultado no primeiro trimestre deste ano pelo Banco Itaú/Unibanco, sendo uma das suas expressões o retorno médio sobre o patrimônio líquido consolidado, que foi de 24,8%. São diferentes as taxas sobre as receitas e as sobre o patrimônio. Uma sobre os fluxos; outra sobre o estoque de capiais. Esta, de 24,8% sugerem um payback bastante rápido (retorno do capital aos investidores). Pouco negócio, a não ser outro banco ou uma empresa petrolífera chega a ser tão bom assim. Karl Marx já chamava o capital rentista de capital “parasita”. Mas, é um fato de que quem tem dinheiro ganha mais dinheiro e que o dinheiro, conforme o próprio Marx, é hermafrodita. É valor que se valoriza, segundo ainda Karl Marx. Sem dúvida, o velho livro “O Capital” é uma obra prima a ser analisada. Antônio Delfim Netto, na segunda metade do século XX, saiu do ministério econômico do regime militar, para ser embaixador na França. Lá, deleitou-se, lendo os seis livros de “O Capital”, tendo declarado de que o traduziu em uma folha de papel almaço.    

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