MAIS DO MESMO SO QUE METÓDICO
08-06-2026
A teoria econômica mostra gráfica
e de forma escrita que a adoção de um imposto se traduz no repasse ao preço pelo
vendedor. Na economia internacional se chama de tarifa. Ademais, a tarifa
também protege a economia doméstica porque encarece o produto importado e torna
mais simples se ativar ou se reativar a produção local, pelo maior poder de
competição que a empresa doméstica terá.
Assim, desde 20 de janeiro de
2025 que Donald Trump assumiu com força a sua imposição de elevadas tarifas,
dizendo que os parceiros comerciais praticavam deslealdade nas vendas de produtos
mais barato, muitas vezes, praticando dumping, para ganhar mercado e deslocar
os concorrentes.
Donald Trump anunciou de uma só
vez tarifas cavalares, no início do ano passado, em média de 50% adicionais
sobre importações da maioria dos seus parceiros comerciais. Depois de mais de
um ano, a Corte Suprema dos EUA declararou ilegal e os EUA terão que devolver
os tributos cobrados. Não desistiu de impor tarifas adicionais. Agora, pede ao
seu departamento de comércio para fazer análise dentro das leis de comércio dos
EUA, produzindo relatórios e fixando tarifas adicionais de forma legal. Sem
pressa, dando oportunidade para o parceiro se pronunciar, para continuar na sua
“Arte da Negociação” (nome do livro best seller de Donald Trump, aquele que o
fez famoso, abrindo as portas da televisão e o ajudando a tornar-se mais rico,
mediante outros negócios, até chegar a presidente da República, local no qual
se tornou ainda mais rico em pouco mais de um ano).
No caso brasileiro, anunciou no
início do mês tarifas adicionais de 25% para produtos exportados, abrindo
canais de negociação em torno de um mês. Claro, que isso poderá prejudicar a
economia brasileira, mesmo que os representantes daqui digam que procurará
novos parceiros ou de que incrementará parcerias atuais, tal como tem com a
China, seu maior parceiro. Entretanto, trata-se de uma sujeição ainda maior aos
negócios que tem com a China. Correto é negociar e manter as fatias que tem de
mercado para produtos exportados para os EUA.
A provável sujeição das
exportações para a China tem um contraponto. Por que a China vai muito bem?
Recentemente, lançou seu plano quinquenal (2026-2030) para a modernização da
agricultura e das áreas rurais do país. O pilar estratégico é a segurança
alimentar, que deve ser protegida de tensões geopolíticas, das influências de
mudanças climáticas e das disputas tecnológicas globais. Cada vez mais a China
pretende colocar no seu setor rural o uso de inteligência artificial.
A esse respeito, por que Brasil
não faz plano quinquenal? Já fez planos econômicos interligados, não,
necessariamente, de cinco anos, no extenso período de 1964 a 1984. O traço
comum do planejamento estratégico continuado, em referência da China e, outrora,
do Brasil, é o regime político autoritário. Talvez, por isso mesmo, não se tem
mais no País, dessa forma. É bem verdade que Lula, em 2022 anunciou que faria
um plano econômico exitoso, como o Plano SALTE, de JK (1956-1960), o primeiro
plano que houve aqui, que, inclusive, levou à construção de Basília, o qual
tinha como lema “crescer cinco anos em cinco”. Mas, Lula não levou avante. Espera-se
que um dia haja uma gestão que construa tanto como JK. O País precisa.
Comentários
Postar um comentário