MERCADO FINANCEIRO CONTINUA PREVENDO SELIC MAIOR

 

23-06-2026


Ontem, mais um dia primeiro útil da semana em que o Banco Central divulga o Informativo Focus e mais uma vez a taxa básica de juros, a SELIC, que foi projetada para cima. Agora em 14,0% no final do ano. Quer dizer, em seis meses vindouros o mercado só acredita em um corte de 0,25% na SELIC, perfazendo 1,0% para o ano todo de 2026. Até o ano passado, a SELIC era de 15,0% e o mercado acenava com corte de vários percentuais na taxa básica de juros, para até vir para taxas civilizadas de menos de dois dígitos. Mas, qual? A SELIC não é muito sensível, à baixa, mas, muito sensível à alta, ainda mais em ambiente de guerras intermináveis, aumentos generalizados doo preços das commodities, déficits primários, corroendo receitas de muitos anos, compondo o cenário também de inflação para cima e, no caso brasileiro, embora não seja tão alta, por volta de 5,0%, entretanto, o déficit primário, além de não aumentar os necessários investimentos governamentais, colabora para que  SELIC seja quase o triplo da inflação, devido à voracidade com que o governo federal vai tomar dinheiro no mercado financeiro.

O cenário de altas taxas de juros, tecnicamente, não é bom para o mercado produtivo, visto que este necessita de recursos, principalmente, para capital de giro e juros de dois dígitos dificulta a alavancagem financeira. O voo da economia, portanto, continuará baixo, o que não é boa notícia, notadamente, para um País que precisa elevar o nível de vida da sua população em geral. E, não é com assistencialismo que tal ocorrerá.  Mas, com investimentos produtivos, tanto públicos (que são multiplicadores) como privados (que são aceleradores). Teses expostas muito bem por John Maynard Keynes, em seu livro clássico “Teoria Geral”.

No quadro econômico de ontem, o presidente da República, Lula, juntamente, com o vice-presidente Geraldo Alckmin, representando a indústria, bem como com o presidente do BNDES, o economista Aloísio Mercadante, anunciaram empréstimos de R$140 bilhões para a indústria. Fato que, no geral, terão taxas de juros subsidiadas, porém, em nível muito elevado, o que ainda dificulta a competitividade industrial. Por outro lado, o sistema SERASA anunciou mais uma vez e mais um recorde no endividamento das famílias, que se encontra no nível de 81,6%. Isto dificulta também o consumo familiar.  

Como sempre aqui é uma página escrita sobre conjuntura econômica.

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