ETERNA RENEGOCIAÇÃO

 

02-07-2026


A política econômica de curto prazo é definida pela tríade: política monetária, política cambial e política fiscal. A política econômica de longo prazo é o planejamento estratégico. O Basil pratica, como a maioria dos países, a tríade em referência, uma preocupação mundial com a conjuntura econômica. O Brasil fez o planejamento estratégico, a partir do governo de JK, com o Plano Salte, seguindo aos anos de 1960, nos anos de 1970 e início de 1980. Mas, depois dos choques do petróleo (o primeiro, em1973; o segundo em 1979), quando o Brasil importava por volta de 80% do petróleo que consumia e, por isso, sofreu muito, o sistema brasileiro, que conseguia fazer o planejamento estratégico se desorganizou e chegou ao fim no e do regime militar. Sabe-se que, justamente, quando o País deixou de fazer o planejamento estratégico, por coincidência a China o adotou, ao abrir sua economia, a partir dos anos de 1980, saltando de 20º PIB mundial, 25 anos depois, para o segundo PIB global. A China continua fazendo planos quinquenais.

A política fiscal é praticada em todo o mundo, fazendo um balanço da política tributária com a política de gastos e de investimentos públicos. Se esta última for maior do que a arrecadação, o governo se serve da tomada de empréstimos. Na verdade, impulsiona os gastos, gerando empregos e realizando inversões em infraestrutura, fazem com que os governos gastem mais do que têm de receitas, tanto no âmbito federal, estadual e municipal. Por seu turno, como as taxas de juros no Brasil tem sido bastante altas, muitas vezes acima de dois dígitos, rapidamente, a dívida governamental dobra, em geral. Rolada, continua sua escalada de débitos, como se fosse uma bola de neve. Por isso, que os governos estão sempre renegociando dívidas, mesmo aquelas acima da capacidade de pagamentos de longo prazo. Devem ficar como sinônimo de realizações de obras e de serviços, mesmo que a custos elevados. Quem paga a conta é o contribuinte.

A sinopse diária da Folha de S. Paulo, divulgada ontem na internet, refere-se que a renegociação do governo federal com as 27 unidades federativas, poderá trazer um rombo de R$347 bilhões em 30 anos ao Tesouro Federal. Na verdade, quem perderá é a população como um todo. O programa atual foi idealizado por Fernando Haddad, quando era ministro da Fazenda, visando beneficiar principalmente São Paulo, como sempre isto acontece, devido aos fortes lobbies paulistas. Segundo ainda a Folha, o governo federal autoriza créditos aos estados e distrito federal sem olhar indicadores que apontam maior risco de crise. Ela não fala qual a crise, mas, supõem-se que seja de falta de capacidade de pagamento, o que tem feito “quase sempre” a recorrerem às renegociações.

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