GASTOS FORA DO ORÇAMENTO
04-07-2026
O exame de uma página diária
neste espaço tem sido sobre a conjuntura econômica brasileira. Procura-se o
assunto econômico de maior importância.
Reportagem de ontem da CNN
Brasil, consultando o pesquisador associado do INSPER, Marcos Mendes, após
divulgação de relatório da política fiscal pelo Tesouro Nacional, ele
identificou uma série de gastos que não estão previstos no orçamento, do segundo
semestre do ano passado ao primeiro semestre deste ano, impactando em acréscimo
de1,5% do PIB. Isto será repassado para o próximo governo. Na verdade, ele se
reporta ao dito como “herança maldita”, alegada pelos governos da situação aos
governos anteriores, tanto de FHC como os de Jair.
Conforme a citada agência
noticiosa: “O pesquisador também destacou que não enxerga perspectiva de ajuste
fiscal suficiente, independente de resultado eleitoral. ‘Para estabilizar a
trajetória da dívida seria necessário transformar o déficit atual em 0,5% do
PIB, mediante um superávit anual entre 1,5% e 2,0% do PIB, o que representa um
ajuste difícil. Prossegue o pesquisador: “Eu vejo muito pouco apetite por parte
do governo e não vejo também a oposição sinalizar com algo concreto. Em momento
de eleição ninguém quer falar de assunto difícil”. Destacou ainda que o País
está condicionado também a fatores externos, tais como a valorização do dólar e
a expectativa da elevação dos juros pelo banco central dos EUA, podendo agravar
a economia doméstica. Daí, atingindo também os emergentes irá piorar a
situação. Ele é mais drástico, “uma crise” aqui.
Por seu turno, a reforma
tributária aprovada sobre o consumo foi promulgada em 20 de dezembro de 2023 e
não foi ainda regulamentada. O Ministro da Fazenda vê risco da reforma ser desfigurada.
Propõe a regulamentação por imposto seletivo.
Em síntese, a maioria dos congressistas
parece não querer regulamentar uma reforma tributária que aumente a carga de tributos.
Já o governo continua gastador, conforme exposto acima.
Veja-se como existe análise
consequente. O Bank of America cortou a previsão do PIB de 2027 para 1,3%, em
relatório divulgado ontem. O obvio, já que a gestão federal gasta mais em
questões improdutivas e menos em questões produtivas. Com menos investimentos, tanto
públicos em infraestrutura) como privados (em aceleração da produção de bens e
serviços), a economia cresce menos. É lógico.
Uma reflexão simples. No primeiro
governo Lula e no segundo também (2003-2010), a economia operou com superávit
primário, todos os anos seguidos, e cresceu por volta de 4% ao ano. Neste
terceiro governo Lula, opera-se com déficit primário e a economia cresce menos
de 3% ao ano e enfrenta sérios problemas econômicos, transferindo um caos
fiscal para o governo que se iniciará em 2027. Entenda-se como caos fiscal, o problema
de, pelo menos, continuidade dos déficits primários crescentes relatados.
Comentários
Postar um comentário