QUEDA RECENTE DA INDÚSTRIA
05-07-2026
O aparelho produtivo,
classicamente, segundo Colin Clark, tem três setores, a agropecuária, a
indústria e os serviços. A agropecuária é o setor originário. A indústria a
primeira derivada e os serviços a segunda derivada. A integral deles é o PIB.
Quem estuda matemática vê que o conjunto tem derivada diferencial e integral. A
diferencial é objeto de integração.
Segundo o IBGE, o setor de
serviços corresponde a 70% do PIB; a agropecuária a 6%; a indústria, 24%, nela
incluída a agroindústria. A agroindústria faz parte da indústria de
transformação, incluindo atividades como a produção de carnes, açúcar, etanol,
café processado, sucos, laticínios, óleos vegetais, celulose, papel, fumo,
entre outras. Referidas atividades fazem parte de 45% do PIB industrial. Citado
segmento é o que tem impulsionado o crescimento industrial.
Por oportuno, visto dados
recentes, a produção industrial brasileira recuou 0,2% na passagem de abril
para maio. Pelo pequeno percentual, parece pouco. Porém, trata-se de um valor da
produção expressivo. Este é o primeiro resultado negativo desde dezembro de
2025, quando o setor apresentou declínio de 1,9%. Se a interpretação
conjuntural for em relação a maio do ano passado, a indústria de agora teve uma
expansão de 0,2%. No acumulado de 12 meses o setor variou para cima em 0,4%.,
consoante pesquisa mensal da indústria calculada pelo IBGE.
De fato, a indústria brasileira,
em geral, é retardatária, conforme o livro Capitalismo Tardio, escrito por João
Manuel Cardoso de Mello, em sua tese de doutorado na Unicamp. Tornou-se um dos
trabalhos mais influentes. Seu argumento central é de que o capitalismo no
Brasil não nasceu de maneira autônoma, mas como desdobramento da economia
exportadora e da inserção do País na economia mundial, enquanto países como o
Reino Unido desenvolveram a revolução industrial no final do século XVIII e
outros países, como Alemanha, Estados Unidos e Japão, que avançaram fortemente
no século XX, o Brasil só começou uma indústria mais intensa a partir de da
década de 1930, durante o governo de Getúlio Vargas. Porém, os países que se
tornaram industrializados levaram e levam vantagens de muitas décadas de
tecnologia e formação de capital. Ademais, trata-se de uma indústria que é pouco
competitiva no mercado internacional. O Brasil é considerado um país “fechado”
para os negócios mundiais, visto o pequeno peso da balança comercial no PIB.
Nas últimas década o agronegócio vem sendo preponderante e está havendo uma
reprimarização do País e uma desindustrialização.
A China tem resolvido o atraso,
indo para a vanguarda da tecnologia industrial, via planejamento estratégico que
já dura mais de cinco décadas.
A história da evolução industrial
no Estado da Bahia, tem sido um sonho, recuperar o atraso, conforme relatou o
professor Paulo Rebouças Brandão, até agora não realizado. O professor
Francisco Oliveira, escreveu um livro sobre isto: “o Elo Perdido”, quando analisou
no século XIX, encontrando a Bahia com a indústria desenvolvida, que
praticamente desapareceu no primeiro quartel do século XX.
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