RAZÕES DE ADICONAR ÁLCOOL NA GASOLINA
16-07-2026
A adição de etanol na gasolina
começou nos anos de 1930. A produção brasileira de combustíveis era exígua e a
maioria dos derivados de petróleo era importada, escassa e, por isso mesmo,
cara. A produção de álcool tradicionalmente abundante, desde a etapa colonial. Como,
quase sempre, em economia, a lei de demanda prevalece, ou seja, maior deslocamento
da curva de procura, maior nível de preços. A inserção regulamentada, deu-se a
partir de 1931, inicialmente com a adição de 2%, 3%, 4% e até 5%, escalonada naquele
mesmo ano. Em 1933 foi criado o Instituto Nacional do Álcool (IAA), uma
poderosa autarquia, hoje, extinto. A grande produção de etanol ocorreu e, ainda
ocorre, de forma crescente, no Estado de São Paulo, próxima dos maiores
mercados consumidores do País. Em ordem: Sudeste, Sul, Centro Oeste, Nordeste,
Norte, além de corredores enormes para exportações.
A adição citada variou com o
tempo e chegou a ser inexpressiva. Mas, em 1973, mediante o primeiro choque do
petróleo, os preços dos barris do petróleo, que custavam de um a dois dólares
passaram a ser de mais de dez dólares. A produção de combustíveis brasileira
era pequena e a maior e grande parte importada. Logo, retornou-se à referida
composição e se criou o carro à álcool. O segundo choque do petróleo ocorreu em
1979, o barril do petróleo deu um enorme salto, em cima de uma base de preços
já elevada (dez dólares), saindo de cerca de 10 para 40 dólares. Dessa maneira,
o governo criou um grande programa de estímulo à produção de álcool, o Proálcool,
que fora criado em 1975, passando o País a ser também grande exportador de
etanol, o maior do mundo.
Neste ano vem ocorrendo o
terceiro choque do petróleo, desde 28 de fevereiro, devido à reedição da guerra
no Oriente Médio. Há alguns meses se fez um memorando de acordo para o cessa
fogo. Porém, nos últimos dias, a guerra voltou a ser acirrada. Os preços do
petróleo, que já estavam elevados, devido ao racionamento imposto pela OPEP, saltaram
do patamar de setenta dólares e atingiu o pico de cento e vinte dólares.
Atualmente, depois de baixas e altas, está voltando ao patamar de oitenta e
cinco dólares.
Visando com que a inflação não
fique tão elevada, pela contaminação das elevações dos preços dos combustíveis,
o governo federal já vem subsidiando referidos preços há mais de dois meses e
resolveu agora elevar a adição de álcool, dos atuais 30% para 32%. A Associação
Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA) levou ao público sua
preocupação, quanto à resistência dos veículos biocombustíveis e híbridos de
suportarem citada adição. Ou seja, não se têm ainda resultados na prática de
uso de tal medida, que, inicialmente vigorará por 180 dias. Quase tudo dependerá
de se continuar os conflitos no Oriente Médio, os quais trazem prejuízos para o
mundo todo, embora tenha países e regiões que estão ganhando com as elevações
dos preços dos barris do petróleo, pela produção, circulação, distribuição e
consumo. Conforme é tipicamente conhecido, são os EUA, que sempre têm feito das
guerras um bom negócio, haja vista que a economia norte-americana está
crescendo, mesmo com o ônus de maior inflação global, parcialmente,
neutralizada, porque os EUA são o maior produtor e exportador da citada
commodity.
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