VIESES DO BOLETIM FOCUS

 

07-07-2026


A economia é uma das ciências sociais e também inexata. Os resultados são dados em termos probabilísticos. É muito comum ver a divulgação de estatística econômica, tal como as divulgadas, semanalmente, observando-se a curva de um sino invertido, chamado de curva normal ou de curva de Gauss, para informar a mediana das projeções da taxa básica de juros, mediante margens de tolerância, para mais e para menos da curva. As margens de tolerância são também chamadas de margens de erro, ou de desvios ou de vieses.  

Desde o ano de 2.000 que o Banco Central faz pesquisa no mercado financeiro a perspectiva acerca das projeções através das medianas da inflação, PIB, taxa básica de juros, dólar e resultado fiscal. O Instituto Sfera veio ontem a público declarar que a pesquisa semanal do Boletim Focus tem vieses. O argumento do diretor do Instituto tem fundamento metodológico, embora isso não signifique que o Boletim Focus esteja “errado”, visto que são variáveis proxies. Citado Informativo ausculta cerca de uma centena de instituições participantes, como bancos, corretoras, gestores de recursos e consultorias econômicas.  

Os vieses correspondem às projeções que refletem a visão de profissionais que trabalham em instituições financeiras. Não são consultados de forma sistemática, empresários da indústria, agricultores, comerciantes, sindicatos, consumidores e universidades. Dessa forma, as expectativas podem incorporar a perspectiva e incentivos do mercado financeiro. Este costuma atribuir bastante peso ao controle da inflação e ao equilíbrio de contas públicas. Já os empresários da indústria podem enfatizar mais o crescimento econômico, o investimento e o crédito. Os agricultores podem ter uma percepção diferente sobre câmbio e preços das commodities. Porém, as projeções citadas são boas proxies.

Nesta semana, o mercado financeiro reduziu a estimativa da inflação par 2026, passado de 5,33% para 5,30%. Continua a projeção acima do teto da meta de 3,0% mais 1,5% de margem de tolerância. Para 2027, o IPCA estimado passou de 4,17% para 4,18%. Para 2028, 3,70%. Para 2029, 3,50%. Quanto ao PIB, para este ano a estimativa é de incremento de 1,99%. Para 2027 subiu de 1,68% para 1,69%. Permaneceram estáveis as estimativas de 2,0% para 2028 e para 2029. Já para SELIC de 2026 ficou em 14%. Para 2027 a SELIC permaneceu em 12%. Para 2028, permaneceu em 10,5%. Para 2029, em 10,0%. O câmbio seguiu estável. Estimado em 2026, R$5,20. Em 2027, R$5,28%. Em 2028, R$5,35%. Em 2029, R$5,40.    

  

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