LEI DE RECIPROCIDADE
16-08-2026
A política econômica
protecionista dos EUA, desde o início do segundo mandato de Donald Trump, em
2025, abiu uma “guerra” com os países globais e, em particular, com o Brasil, alegando
troca desigual e trabalho disfarçado como escravo, para baratear produtos
exportados. Em resposta, o Brasil aprovou uma lei de reciprocidade, que foi
postergada, mas que, há dois dias foi anunciada a sua adoção. Ainda não há uma
nova tarifa efetivamente aplicada. A CAMEX está analisando as medidas e o
governo abriu consultas diplomáticas.
O que está ocorrendo? Os EUA impuseram
ao Brasil 25% de sobretaxa sobre determinados produtos basicamente
manufaturados; mais 12,5%, em alguns casos, onde o se usa mão de obra muito
barata, o que os têm feito dizer semelhante ao trabalho escravo. Assim, determinados
produtos chegam a enfrentar 37,5%.
Conforme o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio, cerca de 23,1% das exportações brasileiras para os EUA
estão sujeitas a essas sobretaxas. Máquinas, equipamentos, madeira, calçados,
moveis e confecções. De janeiro a julho de 2026, as exportações brasileiras caíram
12,2%, enquanto as importações provenientes dos EUA cresceram 0,6%.
Se o Brasil retaliar o exortador americano
perde competitividade no Brasil. O importador brasileiro também perde, visto
que máquinas, equipamentos, medicamentos ou insumos americanos ficarão mais
caros. O custo acabará chegando ao empresário e transferido para o consumidor.
Por outro lado, o País pode prejudicar sua própria indústria, visto que seus
custos ficarão mais elevados e poderá perder competitividade. Os americanos
também sofrerão. Porém, os EUA têm uma economia muito maior e um mercado
interno gigantesco. Portanto, as tarifas, relativamente, poderão produzir danos
econômicos maiores ao Brasil. Existe uma vantagem para o Brasil, ele pode
escolher onde retaliar e procurar abrir mercados. Neste jogo de “perde-perde”,
parece ser melhor para o grande e pior para o pequeno. Não sem motivo o
presidente Lula voltou a falar ontem em acordos.
A primeira reação no mercado
financeiro foi o valor do dólar comercial saltar para mais de R$5,22. Os
investidores já vinham adotando cautela na aplicação de ativos brasileiros. Por
seu turno, a redução dos investidores estrangeiros na bolsa brasileira,
provocou nove pregões consecutivos de baixa. A abertura de processos de
reciprocidade no comércio entre os dois países acontece no momento no qual há
elevada sensibilidade nas aplicações financeiras dos ativos nacionais. O País
continua com risco fiscal, saída de investidores estrangeiros, insegurança
jurídica e risco eleitoral no atual radar.
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