PRODUTIVIDADE, ECONOMIA FUNDAMENTAL

 

01-09-2026


Não confundir produção com produtividade. A produção é a quantidade e a produtividade é o incremento relativo da produção. Existe a produtividade da economia (a produtividade total), a produtividade do setor primário, do setor secundário (industrial) e do setor terciário (comércio e serviços, incluindo bancos). Pode ser destacada: a produtividade dos fatores de produção: do trabalho, do capital, da tecnologia e da capacidade empresarial.

Por oportuno, a Folha de São Paulo, em artigo de ontem, intitulado “Interior ganha impulso com agro e produtividade do Brasil muda de endereço”. Neste artigo de uma página se colocará breves anotações para discussão em sala de aula. O ponto central da reportagem é justamente a transformação provocada pelo agronegócio, sobretudo no interior do País. Os aspectos que mais chamam a atenção: (1) entre 2002 e 2019, a produtividade do agro brasileiro aumentou 80,1%, enquanto, no mesmo período, a produtividade do trabalho da indústria cresceu apena 5,4%; (2) Estados do interior, particularmente, Bahia, Mato Grosso, Piauí e Tocantins, tiveram avanços superiores à média nacional. Muito bom para o Piauí, Estado dos mais pobres; (3) durante boa parte do século passado, principalmente, São Paulo e quase todo o Sudeste se tornaram os centros de atração de capitais, concentrando a indústria, empregos e rendas, as quais tinham as maiores produtividades; (4) o investimento em infraestrutura e pesquisas foram essenciais.

Nas últimas décadas, parcelas crescentes de ganhos de produtividade estão sendo produzidas na região Centro-Oeste, na área chamada Matopiba, Bahia, Maranhão Piauí, Tocantins. Por sua vez, no Oeste da Bahia, há crescimento espetacular das cidades de Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães, ao ponto de atrair populações, há anos, da capital, Salvador, com crescimento negativo da população.

Em resumo, a produtividade do agro cresceu muito e a da indústria ficou praticamente estagnada. O agro brasileiro vem passando por uma revolução tecnológica. A indústria, por sua vez, não conseguiu progredir como deveria. O agro incorporou máquinas e equipamentos muito mais eficientes; sementes geneticamente melhoradas; fertilizantes e defensivos mais eficientes; agricultura de precisão, GPS e sensores; irrigação; biotecnologia; melhoramento genético bovino; sistemas de plantio direto; gestão profissional das propriedades.

O fator EMBRAPA, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, tem sido fundamental. Ela desenvolveu tecnologia para transformar solos e condições, em áreas altamente produtivas. O cerrado é um exemplo clássico. Passou a incentivar a adaptação de tecnologia estrangeira às condições locais. Incentivou a mecanização. Segundo a EMBRAPA, entre 1960 e 2017, o número de tratores por mil hectares passou de 0,06 para 17,1. Incentivou a exportação, principalmente com a ascensão da China. Para o exterior foram soja, milho, carnes, açúcar, café, celuloses, dentre outros, passaram a ter uma demanda externa extraordinária. Estimulou maiores escalas de produção, investimentos e tecnologias.

Enfim, comprovou-se o que o clássico livro de Keynes, “A Teoria Geral” explica: que o investimento em infraestrutura é multiplicativo e o investimento empresarial e acelerador do crescimento econômico.

 

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