CENÁRIO E DESAFIOS DO PIB FUTURO

 

03-09-2026


O mercado financeiro aguardava a divulgação do PIB do segundo trimestre pelo IBGE e projetava 0,4%, quando o resultado foi de 0,5%. Um pouco acima, mas, mostrando uma desaceleração da economia, perante o primeiro trimestre, quando cresceu 1,1%. O PIB encontrado em 12 meses seria incremental de 2%. No entanto, as mais de 100 instituições financeiras, auscultadas semanalmente pelo Banco Central, têm projetado para este ano 1,9% e para 2027, por volta de 1,5%.

Os cinco décimos de incremento do PIB do segundo trimestre, se fosse tirados os efeitos positivos da agropecuária e da indústria extrativa, basicamente, de petróleo, o PIB do trimestre em referência seria negativo, conforme cálculos o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central, de 2003 a 2006, durante a presidência de Henrique Meirelles. Naquele período a economia nacional cresceu acima de 4% em média anual e o País “nadava” em superávit primário e no “boom” das commodities.   

O mercado se refere a três desafios econômicos para 2027. No entanto, existem muito mais. O primeiro desafio, segundo o mercado financeiro, seria o de que o esperado El Niño virá com danos para a agropecuária, que poderá ter crescimento negativo e afetará em muito o PIB nacional. O segundo, devido à continuidade das elevadas taxas de juros projetadas, ficará ainda pior os graus de endividamentos das famílias e das empresas. Terceiro, o desarranjo das contas públicas, que vem desde 2014, mediante déficits primários e que poderá piorar se continuar a gastança no ritmo em que vai. Quarto, no mercado doméstico, já que o País perdeu o bônus demográfico, mais pessoas, em termos relativos, irão requerer benefícios da Previdência e da Assistência Social, pressionando o caixa, já comprometido nas áreas com mais de 50% do orçamento. Quinto, como as despesas obrigatórias são maiores do que 90% do orçamento projetado pelo governo, pouco espaço ficará para os fundamentais investimentos em infraestrutura. Sexto, advém notícias de que os EUA manterão altas as tarifas sobre as exportações, contraindo o faturamento do setor. Sétimo, também de efeitos externos, as guerras parecem que continuarão com seus efeitos deletérios sobre a economia brasileira.

 

 

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