GUERRA PARECE TER AUMENTADO

 

02-09-2026


Desde a semana passada que parece que a guerra entre os EUA e o Irã parece ter aumentado. Uma prova disso é que o preço do barril de petróleo do tipo Brent, que nos momentos anteriores à guerra estava em torno de US$70.00, já elevado, pelo racionamento ao fornecimento de petróleo, que impunha a OPEP. No pico do conflito, bateu acima de US$120.00 e, por estes dias esteve acima de US$119.00, depois que o Irã atingiu a maior instalação de energia do Qatar. Nos momentos de trégua esteve por volta de US$80.00. A volatilidade no preço se deve à grande preocupação mundial e às realizações de lucros dos exportadores de petróleo. 

Além dos ataques do Irã aos campos de gás de Ras Laffan, o maior campo de instalação de energia do Qatar, um drone atingiu uma refinaria saudita, Israel voltou a entrar na guerra, bombardeando o campo de gás de South Pars, onde está a maior fábrica do Irã, além das instalações petrolíferas de Asaluyeh. O Irã então declarou que atacar novas e velhas instalações de petróleo na região eram “alvos legítimos”. O conflito, que seria breve, segundo os protagonistas, ameaça prolongar-se e, com ele, trazendo prejuízo para todo o mundo, refletido principalmente na inflação mundial, decorrentes das elevações dos preços das commodities.

No caso brasileiro, o País perde, nos aumentos generalizados de preços e, ganha, nas exportações de petróleo pela Petrobras. No entanto, o saldo não tem sido bom, visto que o IBGE divulgou ontem que o PIB do segundo trimestre, reduzindo-se para 0,5%, em contraste com o crescimento de 1,1% do PIB, no primeiro trimestre. Anualizado, o PIB chega a 2%. Mas, muito provavelmente, chagará no final do ano a um número ainda menor se continuar no ritmo em que se está desacelerando. Logo, os efeitos negativos da guerra e as tarifas impostas às exportações pelos EUA estão colocando ladeira abaixo a atividade econômica brasileira.

Em resumo, com muita gastança em Brasília, o que tem levado aos déficits primários seguidos por vários anos, juros muito altos, investimentos reduzidos, consumo contido pelo aperto das famílias, parece que a economia brasileira ingressou na faixa já apelidada pelo mercado, de “maldição dos 2%”. Ou seja, crescimento em torno de 2% ou abaixo dele pelos próximos anos.  

Existe aí uma impropriedade. Depois de 16 anos seguidos de superávit primário (1998-2013) e consequente bom nível de crescimento econômico médio anual, ocorreu, em 2014, seguindo-se 11 trimestres de forte recessão (2014-2016), as contas públicas estouraram e voltaram os déficits primários seguidos, até hoje. Na verdade, o apelido poderia ser “maldição dos gastos excessivos”, desde 2014, à exceção de 2022, quando se adiou o pagamento de precatórios e se teve superávit primário, o País com déficit nominal na casa próxima de 10% do PIB e com déficit primário, inferior a 1%, mais de alto valor de contrição.

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