DÉFICIT PÚBLICO CONTINUADO
02-10-2024
Um problema econômico muito sério é o déficit público, visto
que ele força o governo central a ir ao mercado financeiro endividar-se mais
ainda. Relembre-se aqui que, um áureo período, do finalzinho do século passado
e dos primeiros anos deste século (1998 a 2013) houveram 16 anos de superávit
primário seguidos. O País obteve um bom crescimento econômico, sustentável, em
longo período. Porém, de 2014 a 2021, voltou a ter déficit primário, obtendo no
período então em referência oito anos deficitários, tendo pífio crescimento
econômico. Inclusive, dentro do citado período com até com quase três anos de
recessão (2014 a 2016, 11 trimestres recessivos e consecutivos). Em 2022,
obteve superávit primário, mesmo após enfrentar a pandemia do covid-19. Entretanto,
o governo atual cresceu a máquina pública (por exemplo, de 22 ministérios
executivos, elevou para 40), tendo também de enfrentar muitos problemas de
custos públicos ascendentes e, continuou fazendo gastos crescentes, acima das
receitas totais, voltando a ter déficit primário, desde janeiro de 2023. Até
agora, o esforço tem sido para reduzir o déficit primário, não obstante a equipe
econômica proponha zerá-lo.
Conforme o Banco Central, encarregado de apresentar as suas
próprias contas, as do Governo Central e as do Tesouro Nacional, conjuntamente,
no ano passado o déficit primário consolidado foi de mais de R$240 bilhões,
representando 2,29% do PIB.
Ainda, consoante o Banco Central, nos oito primeiros meses de
2024, o setor público consolidado, acima referido, apresenta déficit primário
de mais de R$86 bilhões. Considerando 12 meses, até agosto, o déficit primário
seria de mais de R$256 bilhões. É evidente que o déficit primário deste ano
será bem menor do que o de 2023, mas dificilmente poderá ser zerado, conforme
as próprias contas apresentadas.
No orçamento para 2025, o governo federal espera zerar o
déficit primário, orçamento que está sendo analisado pelo Congresso Nacional, que
tem prazo até o final de 2024.
A problemática em tela é que, mediante déficits primários
continuados, é que a capacidade de investimento diminuiu e o próprio governo
estima que o crescimento do PIB para 2025 e para 2026 poderá ser de 2%, em cada
ano, fato que está em linha com as estimativas das cerca de 100 instituições do
mercado financeiro, consultadas semanalmente pelo Banco Central, publicadas no
boletim Focus, através de consultas semanais consecutivas desde o ano
2.000.
O grande problema do déficit primário governamental
consolidado, é que, em seu conjunto deficitário, ele é bem maior, visto que ao
déficit primário é adicionado o pagamento de juros da dívida, o qual passa a ser
chamado de déficit nominal. O Banco Central apresentou as contas de que em 12
meses, encerrado em agosto, passado, o setor público acumulou um déficit
nominal de R$1,111 trilhão, correspondentes a 9,81% do PIB. A implicação maior
disto é que tem desaguado na dívida pública bruta, estimada pelo Instituto
Fiscal Independente, órgão ligado ao Senado Federal, é de que a dívida pública
bruta chegue a 80,0%, no final de 2024, quando no início do ano era de 73,0% do
PIB. Incremento da relação de cerca de 9,6%.
Comentários
Postar um comentário