ÍNDICE DE INCERTEZA ECONÔMICA
04-10-2024
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) realiza uma vasta gama de
pesquisas econômicas e sociais. E, mesmo muito antes de ter sido criado o
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em 1967, era o celeiro de
informações em referência, para subsidiar as políticas públicas dos diferentes
níveis de governo, federal, estadual e municipal.
Dentre as suas divulgações de indicadores mensais se encontra
o Índice de Incerteza Econômica (IIE-Br). Este é um termômetro baseado em dois
elementos: mídia e expectativas. O componente mídia se refere aos meios de
comunicação, sejam eles de forma impressa, rádio, televisão, internet, blogs,
redes sociais, sites de notícias, outdoors, cartazes, sinalização pública,
dentre outros. Em resumo, leva-se em conta as menções às incertezas em jornais,
no sentido amplo, além de sites de notícias. O componente expectativas leva em
consideração as previsões de analistas econômicos, referentes ao crescimento
econômico, taxas de câmbio, de juros e de inflação.
O IIE-Br varia geralmente de zero a 200 pontos. Ele mede o
nível de incerteza em relação à economia do Brasil. Valores acima de 100
indicam um aumento da incerteza econômica, em relação à média histórica,
enquanto valores abaixo de 100 sugerem uma redução da incerteza.
A coleta de informações pela FGV é feita sempre do dia 26 do
mês de referência ao dia 25 do mês anterior. Depois de três meses de queda do
indicador, no mês de setembro atingiu 107,8 pontos, havendo elevação da
incerteza econômica, devido ao fato de que o Comitê de Política Econômica do
Banco Central retornou a exercer o ciclo de alta da taxa SELIC, depois de dois
anos de ciclo de baixa, além da existência de dois conflitos bélicos, no
Oriente e na Rússia com a Ucrânia.
O marcador de setembro é o segundo menor desde abril de 2024,
que fora de 106,5 pontos. Conforme a economista da FGV, Anna Carolina Gouveia,
estaria ele na “região de incerteza moderada”. Entretanto, o indicador do mês
passado ainda deixou de captar o assassinato do líder do Hezbollah, Hassan
Nasrallah, no último dia 28 de setembro.
O patamar mais baixo já registrado foi em dezembro do ano
2.000, chegando a 83,6 pontos. Naquela época, houve uma combinação de fatores
que proporcionaram um bom cenário econômico. Destaque-se: 1) Estabilidade
Econômica Interna. Decorrente do controle da inflação e recuperação econômica
após as crises cambiais da década de 1990. 2) Confiança nas Políticas
Econômicas. Estava dando os seus frutos o Plano Real, além da aprovação da Lei
de Responsabilidade Fiscal, no ano 2.000. 3) Cenário Global Favorável. Maiores
fluxos de investimentos e de comércio exterior.
O mais alto indicador de Incerteza Econômica foi no começo da
pandemia de Covid-19, em abril de 2020, quando registrou 210,5 pontos,
ultrapassando o limite teórico do indicador de 200 pontos, acima referido.
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