PRIMEIRO BOLETIM MACROFISCAL DESTE ANO

 

07-02-2026


No primeiro boletim macrofiscal deste ano, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda elevou a projeção do crescimento econômico de 2026, passando de 2,2% para 2,3%, bem como estimando a continuidade da desaceleração do processo inflacionário, em direção â meta do Conselho Monetário Nacional de 3,0%, mas a queda em referência ainda está dentro do teto da meta de 4,5%. Ou seja, próximo de 4,0% de inflação. Na verdade, a estimativa elevou em 0,1% da previsão da inflação oficial de 3,5% para 3,6%. Em 2025, o IPCA teve alta de 4,26%. Em frente à situação atual, conta o citado ministério com início do corte dos juros básicos, a SELIC, a parir da reunião de março.

Conforme a Secretaria de Política Econômica (SPE) do citado ministério, o alívio esperado no ritmo de preços neste ano é refletido pelo excesso de oferta global de bens e de combustíveis, além dos efeitos defasados da política monetária e do enfraquecimento já prolongado da cotação do dólar comercial. Os efeitos em referência poderão ocorrer principalmente na desaceleração da inflação de serviços e de bens industriais. A SPE diz esperar pressões nos preços dos alimentos ao longo de 2026, visto que os efeitos climáticos estão sendo previstos, afetando preços dos produtos in natura. Já a carne bovina poderá ter menor oferta por causa de retenção de fêmeas e de esperada retração na produção de alimentos nos EUA, grande celeiro mundial.

O mercado financeiro tem projetado uma taxa de incremento do PIB por volta de 1,8%. Porém, a SPE, reavaliando a situação anterior, espera melhor desempenho, em razão da agropecuária e da produção extrativa. 

A SPE avaliou também que o déficit primário médio de 2023 a 2026 deverá ser de 0,81% do PIB, sendo menor do que aquele verificado desde 2011-2014, no governo de Dilma Rousseff. Quer dizer, fica em claro que o governo do PT, como regra, vem operando com déficits primários, impulsionando os gastos públicos. Para a SPE: “Este resultado decorre da combinação de medidas que, por um lado, priorizam a recomposição da base arrecadatória e, por outro, visam a melhoria do gasto público”. Mas, como? Se o déficit primário de 2025 foi pior do que aquele de 2024? Em ambos se aguardava déficit zero.

O fato é que, nos dois primeiros mandatos de Lula, de 2003 a 2010, a economia girou com superávit primário. Isso se deveu à capacidade ociosa existente e ao boom das commodities. O PIB cresceu a uma taxa média de 4% ao ano. Veio Dilma e o superávit veio caindo até virar déficit primário em 2014. Ainda assim, ela ficou por quase mais dois anos com déficits primários. A taxa de incremento do PIB com Dilma veio caindo, até chegar ao processo recessivo, que durou 11 trimestres, desde o primeiro trimestre de 2014. Neste terceiro mandato de Lula, de 2023 a 2026, o crescimento veio de uma boa taxa e tem sido cada vez menor o seu incremento, principalmente, devido ao governo continuar operando com déficit primário (se tivesse superávit seria para pagar juros da dívida pública) e o déficit nominal maior do que 8% do PIB, que seria a rolagem do pagamento dos juros; da necessidade de tomar empréstimos, visto que a arrecadação não tem correspondido as despesas, além de ter de realizar investimentos obrigatórios.

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