PROJETADO RESULTADO INÉDITO DA PRODUÇÃO DE CAFÉ
06-02-2026
No ano passado os preços das sacas de café foram para as
nuvens. Em dado momento, mais de 60% de aumento em um ano corrido. Dessa
maneira, uma lei econômica entrou em vigor: quando o preço sobe aumenta a
oferta esperada. Vale dizer, muitos brasileiros plantaram mais café e esperam
bons resultados.
No século XX, quando o Brasil somente tinha uma
industrialização incipiente, nosso maior produto de exportação era o café. O
País produzia muito e como não tinha demanda suficiente, estocava por anos seguidos.
Chegaram momentos em que o café tinha estoques tão grandes que o governo chegou
a queimar café dos estoques que ele mesmo fazia, para segurar produção e preços
do café. No entanto, a dependência da produção nacional deste produto e das suas
exportações, colocavam sempre em crise a grande dependência das compras
externas. Não foi sem motivo que, a partir de 1930, o Brasil iniciou sua
industrialização de base, via modelo de substituição das importações, para
estimular a produção local de substitutos, conforme se aprende claramente nos
livros de Celso Furtado e Maria da Conceição Tavares.
A Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) veio a público
declarar que a produção nacional de café caminha para um resultado inédito em
2026. O País poderá colher 66,2 milhões de sacas, sendo um aumento significativo
em relação à safra anterior, de 17,1%.
Corroborando o que ensina a economia, a expansão produtiva se
dará pela elevação da área plantada e pela elevação da produtividade. O café
arábica lidera o crescimento.
O café é um bem inelástico. Vale dizer que, no tempo, o mercado
ajusta os seus preços. No tempo, a tendência é de preços caírem. Conforme a teoria
econômica e a matemática explicam: reduções nos preços reduzem relativamente as
receitas totais, o que na história, não foi bom para o País, o que colocava o
mesmo em crise nos séculos passados, reforçada pela grande dependência da sua
produção e exportação.
A consolidação produtiva do café poderá voltar a fazer o País
ser o maior exportador do produto. Mas, a história hoje é outra, o País tem uma
produção agrícola forte, baseada no agronegócio e de alta produtividade. Em
contraste com uma indústria que vem decaindo a sua participação relativa no PIB
desde 1985. O País é a 10ª economia mundial e cresce pouco e a principal razão
disto é que opera com déficits fiscais, tendo os cobertos com elevação da
dívida pública, que tem sido exigida por elevadas taxas de juros, que, por sua
vez, desestimulam o investimento e o País exerce “voo de galinha”.
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